Criminosos Falsas plataformas de apostas estão sendo usadas para aplicar golpes contra pessoas que tentam sacar valores exibidos como saldo nos sites. As páginas cobram taxas para supostamente liberar o dinheiro.
A startup ZenoX, especializada em inteligência artificial aplicada à cibersegurança, identificou plataformas que prometem retornos de até R$ 3 mil a partir de depósitos entre R$ 20 e R$ 30. No entanto, quando o usuário tenta realizar o saque, o próprio sistema bloqueia a operação.
Segundo a investigação, as falsas plataformas são divulgadas principalmente por meio de perfis em redes sociais como TikTok, Instagram e Telegram.
Batizada de “Saque Fantasma”, a investigação analisou uma rede de falsas bets que funciona em diferentes endereços, mas utiliza o mesmo mecanismo de fraude. Após realizar o primeiro depósito, a vítima encontra uma interface semelhante à de uma casa de apostas, com jogos, saldo disponível e registros de supostos saques.
Entenda como funciona o golpe
Quando tenta retirar o dinheiro, o usuário é informado de que precisa pagar uma taxa de R$ 20 a R$ 30 via Pix para liberar o valor. Antes de apresentar a cobrança, a plataforma simula o processamento do pedido de saque.
Quando a emissão da cobrança pelo serviço de pagamento apresenta falha, o próprio site gera um QR Code de Pix diretamente no navegador. O sistema responsável por verificar o pagamento, porém, não consegue confirmar que a taxa foi quitada.
Com isso, o saque permanece com o status de “pagamento da taxa pendente”, permitindo que o usuário gere um novo QR Code e reinicie o processo.
Em uma das bases analisadas pela ZenoX, 68% das 231 transações estavam com status pendente. Em outra plataforma ligada à operação, dados de mais de 3.600 contas ficaram expostos.
De acordo com o relatório da investigação, o vazamento aumenta o risco de novas tentativas de fraude. Os criminosos podem utilizar informações das próprias vítimas para fazer abordagens e oferecer uma suposta recuperação do dinheiro perdido.
O que fazer após cair no golpe
Quem for vítima deve evitar novos pagamentos e preservar todas as informações relacionadas à fraude. Comprovantes, mensagens, endereços dos sites e outros registros podem ajudar na comunicação do caso às instituições financeiras e às autoridades.
Veja os principais cuidados:
- Não faça novos depósitos, mesmo que a plataforma alegue que o pagamento é necessário para liberar o saque;
- Guarde os comprovantes dos Pix realizados e os registros das transações apresentadas pelo site;
- Faça capturas de tela das conversas, páginas e perfis usados para divulgar a falsa bet ou entrar em contato com a vítima;
- Preserve links e publicações relacionados ao golpe, pois eles podem ajudar a documentar como ocorreu a abordagem;
- Registre a denúncia nos canais adequados e reporte os perfis e conteúdos às plataformas onde foram encontrados.
Vítimas podem ser alvo de novos golpes
A fraude pode não terminar após o primeiro pagamento. A investigação identificou bases contendo nomes, e-mails, números de telefone, histórico de transações e identificadores relacionados ao Pix.
Essas informações podem ser utilizadas em novas tentativas de golpe. Por isso, é importante desconfiar de contatos posteriores que prometam recuperar o dinheiro perdido mediante o pagamento de uma nova taxa ou cobrança.
Segundo a ZenoX, esse tipo de abordagem pode representar uma segunda tentativa de fraude contra pessoas que já foram vítimas.