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Uma longa reunião na noite dessa segunda-feira, em Brasília, abriu a semana de articulações da ala governista que quer enquadrar o senador Tasso Jereissati como condição para mantê-lo no cargo de presidente interino da Executiva Nacional do PSDB. Os governistas queriam, no primeiro momento, a saída de Tasso, mas sentem que a medida pode agravar a crise interna. O estopim da crise foi o programa de rádio e televisão que expôs, na quinta-feira da semana passada, as feridas no PSDB, fez uma autocritica, condenou o presidencialismo  de cooptação, defendeu o parlamentarismo e irritou os tucanos aliados ao presidente Michel Temer.

A reunião, com um jantar, puxada pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, e pelos  ministros da Secretaria do Governo, Antônio Imbassahy, e das Cidades, Bruno Araújo, e o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, contou a com a participação dos deputados federais  Nilson Leitão (MG), Bonifácio de Andrada (MG), Marcus Pestana (MG), Rodrigo de Castro (MG), Shéridan (RR), Izalci Lucas (DF), Rogério Marinho (RN), Domingos Sávio (MG), Nilson Pinto (PA), Guilherme Coelho (PE), Celio Silveira (GO), Yeda Crusius (RS) e Geraldo Resende (MS). Os tucanos descontentes com a  postura de Tasso e que seguem  orientação do senador mineiro Aécio Neves não abrem mão da participação do PSDB no Governo Temer e, por essa razão, querem mudanças nos rumos do partido.

Os governistas querem  conversar com Tasso nesta semana e pedir que ele “se corrija” como condição para permanecer no comando da sigla. Ou seja, a ideia é enquadrar o senador cearense. A palavra enquadramento é dura demais para quem conhece Tasso Jereissati. O grupo governista quer, durante a conversa nas próximas horas, que, em seu discurso,  Tasso reproduza o que pensa a maioria do partido, com o intuito de restabelecer a unidade partidária. A estratégia foi definida durante o jantar oferecido, na noite dessa segunda-feira, a ministros, governadores e  parlamentares do PSDB pelo deputado Giuseppe Vecci (PSDB-GO), um dos cotados para assumir a presidência do partido interinamente caso o presidente Aécio decida substituir Tasso.

Os aliados de Michel Temer no PSDB não ficaram irritados apenas com o propaganda partidária da sigla em rede nacional de rádio e televisão, mas, também, com a decisão de Tasso Jereissati em antecipar o calendário de convenções da agremiação. A ala governista queria, nas primeiras articulações após a exibição da propaganda partidária, que o senador Aécio Neves reassumisse a Presidência da Executiva Nacional do PSDB. Aécio está de licença e, como primeiro vice-presidente, Tasso ocupa interinamente o cargo. Tasso tem sido crítico a postura do PSDB, defende a saída do partido do Governo Temer, mas é favorável aos projetos de reforma tributária e previdenciária do Palácio do Planalto.

A ideia de criar o ambiente para a saída de Tasso foi se dissipando ao longo da segunda-feira para evitar que a crise interna se agravasse e  PSDB entrasse em processo de implosão – alguns parlamentares descontentes já admitem mudar de sigla. O temor da crise ganhar novas proporções fez, temporariamente, os tucanos governistas repensarem a estratégia de pressionar pela saída de Tasso Jereissati.

“Nós vamos procurar os líderes partidários, o presidente licenciado, o presidente em exercício, conversar com os demais membros da Executiva, porque nós precisamos urgentemente recompor esse equilíbrio dentro do partido. Não é possível que o pensamento público do partido seja o pensamento de quem quer que seja. Necessariamente, precisa representar a média do pensamento ou da maioria que existe hoje no partido’’, disse o deputado Rogério Marinho (RN), que, em seguida, definir o desdobramento da conversa: ‘Se o senador Tasso, se dispuser a ser esse elemento, tudo bem. Se não se dispuser, certamente terá a sobriedade e o equilíbrio necessário para encontrarmos juntos uma alternativa, sem vencidos, nem vencedores’’.

De acordo com o parlamentar, durante a conversa com Tasso será proposta o que ele classificou como “correção de rumos”, para que o partido possa confluir com o objetivo de restabelecer a unidade partidário para se fortalecer para a disputa eleitoral de 2018. O PSDB tem todas as possibilidade de se apresentar em 2018 como alternativa real de poder e não pode estar se degradando de forma autofágica como está fazendo agora”.