O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou, em entrevista ao Jornal O Globo, que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) errou ao apostar, inicialmente, em uma estratégia centrada apenas na defesa do legado do governo, sem enfrentar diretamente o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Guimarães reconhece que o momento exige uma postura mais combativa e considera que é preciso “destruir a imagem de bom moço” construída em torno do adversário.
Segundo o ministro, a campanha demorou a reagir ao avanço de Flávio nas pesquisas por adotar uma linha semelhante ao antigo “Lulinha Paz e Amor”. Para ele, esse modelo não corresponde ao cenário político atual.
Para José Guimarães, o PT precisa demonstrar ao eleitor que Flávio Bolsonaro representa a continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro e que, em sua avaliação, o senador do PL é “a própria cara do pai”, que tenta transmitir uma imagem moderada e que não corresponde à sua atuação política.
O ministro também atribuiu parte do crescimento do candidato do PL à atuação da oposição nas redes sociais, afirmando que a disseminação de desinformação dificultou o enfrentamento da imagem construída em torno de Flávio.
Apesar desse contexto, Guimarães disse acreditar que a campanha petista conseguiu interromper esse crescimento nas últimas semanas e não descartou a possibilidade de vitória de Lula ainda no primeiro turno.
AÇÕES DO GOVERNO
Guimarães defende que o governo mantenha a adoção de medidas sociais durante o período eleitoral. Citou como exemplos o reajuste do Bolsa Família e a ampliação da oferta de medicamentos para emagrecimento no SUS, rejeitando as críticas da oposição de que essas ações tenham caráter eleitoreiro.
Outro tema abordado foi o avanço das apostas esportivas. O ministro afirmou que o governo discute desde um endurecimento da regulamentação até a possibilidade de proibição das chamadas bets, diante dos impactos financeiros e sociais sobre as famílias brasileiras.
Sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), Guimarães afirmou que o presidente Lula defende a apuração completa dos fatos, “doa a quem doer”, mas ressaltou que o ministro Alexandre de Moraes teve papel decisivo na defesa da democracia e no enfrentamento da tentativa de golpe após as eleições de 2022.
De acordo, ainda, com Guimarães, na pauta do Governo está como prioridade a articulação para votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1. A expectativa é que, logo após o primeiro turno das eleições, o texto seja votado no Plenário do Senado.