Jogatina não escolhe renda nem escolaridade: advogado pede R$ 163 milhões de volta após perdas em apostas

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O avanço das apostas on-line mostra que o risco de dependência não se limita a uma faixa de renda ou nível de escolaridade. Um caso em tramitação na Justiça de São Paulo chama atenção pelo volume de dinheiro envolvido e pela alegação de ludopatia, transtorno caracterizado pelo impulso persistente e difícil de controlar de apostar.

O advogado Willer Tomaz acionou a Justiça paulista para tentar recuperar cerca de R$ 163 milhões que afirma ter perdido em apostas realizadas na plataforma Blaze.

Segundo informação publicada pelo portal Metrópoles, a ação tramita na 44ª Vara Cível de São Paulo e busca reparação pelas perdas acumuladas ao longo de aproximadamente um ano.

Tomaz sustenta que foi diagnosticado com ludopatia e que a plataforma teria sido informada sobre seu quadro, mas, segundo a ação, não teria realizado o bloqueio de sua conta e continuou permitindo apostas.

R$ 10 BILHÕES MOVIMENTADOS EM UM ANO

Documentos mencionados no processo apontam que Tomaz teria movimentado aproximadamente R$ 10 bilhões entre ganhos e perdas na Blaze em 2025.

Segundo comprovante anual de apostas atribuído à própria plataforma, ele teria registrado R$ 4,8 bilhões em ganhos em jogos de cassino e R$ 4,963 bilhões em perdas.

A diferença corresponde a um prejuízo aproximado de R$ 163,2 milhões.

A defesa usa o volume e a frequência das operações para sustentar que o comportamento seria incompatível com uma prática recreativa de apostas.

“Não existe leitura possível desse padrão [de apostas] que não seja a de jogo patológico em grau extremo”, afirmou o ex-ministro Eugênio Aragão, sócio de Tomaz e advogado responsável pela ação.

DEFESA QUESTIONA MEDIDAS DE JOGO RESPONSÁVEL

Os advogados argumentam que a Blaze teria falhado na adoção de mecanismos de jogo responsável diante de um padrão que, segundo eles, demonstrava compulsão.

A ação também compara o valor perdido por Tomaz com a operação financeira da plataforma no Brasil.

De acordo com balancete citado pelos advogados, a receita bruta da Blaze no país entre janeiro e novembro de 2025 teria sido de R$ 1,9 bilhão.

Nesse cálculo apresentado pela defesa, os R$ 163,2 milhões de prejuízo atribuídos ao cliente equivaleriam, isoladamente, a aproximadamente 8,6% desse valor.

RELATÓRIO MÉDICO APONTA QUADRO COMPULSIVO

O processo informa ainda que Tomaz está em tratamento psiquiátrico.

Relatório médico emitido em 9 de julho de 2026, segundo a ação, descreve “quadro compulsivo intenso de vício extremo em jogos de aposta” e classifica a condição como “ludopatia extrema”.

As conclusões médicas foram apresentadas pela defesa como parte da argumentação para demonstrar que o advogado não conseguia controlar o comportamento de apostar.

MENSAGENS PEDIAM BLOQUEIO DA CONTA

Prints juntados ao processo mostram mensagens atribuídas a Tomaz nas quais ele pede que seu acesso aos jogos seja bloqueado e que a plataforma pare de enviar promoções.

“Quero que vcs bloqueiem o meu acesso a jogos. E parem de me enviar promoções estimulando apostas. Estou com problemas de saúde. Estou viciado. Já perdi o que tinha e o que não tinha”, diz uma das mensagens apresentadas à Justiça.

A defesa sustenta que, mesmo diante desse tipo de comunicação, a conta teria continuado disponível para apostas.

Essas alegações ainda dependem de análise judicial e não significam que a Blaze tenha sido responsabilizada pelos valores reclamados.

LUDOPATIA ATINGE DIFERENTES PERFIS

O caso chama atenção também por mostrar que a dependência de apostas pode alcançar pessoas de diferentes condições econômicas, profissionais e educacionais.

A ludopatia é reconhecida como um transtorno relacionado ao comportamento de jogo e pode provocar perdas financeiras, conflitos familiares, endividamento e outros impactos pessoais e sociais.

O processo de Tomaz coloca no centro do debate também a responsabilidade das plataformas na identificação de comportamentos de risco e na adoção de ferramentas de bloqueio e autoexclusão.

OUTROS EPISÓDIOS ENVOLVENDO O ADVOGADO

Willer Tomaz também foi alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o INSS. Ser alvo de busca ou investigação não representa condenação ou comprovação de participação em crimes.

O material-base também registra relações profissionais e pessoais de Tomaz no meio jurídico e político de Brasília. Essas circunstâncias, porém, não interferem diretamente no mérito da ação sobre as perdas em apostas.