O Ceará ultrapassou a marca de 100 mil novas empresas abertas em 2026. Entre janeiro e julho, foram constituídos 100.202 novos negócios, enquanto 55.458 empresas encerraram as atividades, resultando em um saldo positivo de 44.744 empresas no período.
Os dados são da Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec) e apontam crescimento em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 86.980 novas empresas. Na comparação, foram 13.222 aberturas a mais neste ano, o que representa um crescimento de aproximadamente 15%.
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, o presidente da Junta Comercial do Ceará, Eduardo Jereissati, explicou o balanço entre as empresas abertas e encerradas no Estado.
“É um número muito importante. Quando você apresenta os números absolutos inicialmente, pode causar algum estranhamento, mas, se a gente analisar, percebe que o Ceará, para cada dez empresas que fecham, abre outras 18. O mercado é dinâmico, então essa extinção e essa constituição de empresas acontecem de forma esperada e espontânea. O mais importante é realmente comemorarmos esse saldo positivo, em que constatamos que o Ceará abriu mais de 80% de empresas do que fechou”, disse.
PERFIL DO EMPREENDEDOR
No Ceará, como explica o presidente Eduardo Jereissati, 98% das empresas constituídas no mercado estadual são microempresas e empresas de pequeno porte.
“São realmente aquele micro, aquele nanoempreendedor. Dentro dessa grande política pública que existe no nosso país, que é tirar esse empreendedor da informalidade e trazê-lo para a formalidade, temos o profissional autônomo, aquela pessoa que está enxergando uma terra fértil, um bom momento para empreender no Estado. Ela se formaliza, e aí temos esses números que realmente despontam no universo das microempresas e empresas de pequeno porte”, explicou Eduardo.
Durante o Bate-Papo com o jornalista Luzenor de Oliveira, Eduardo Jereissati também comentou sobre os municípios cearenses que se destacam na abertura de empresas.
“Fortaleza, claro, por ser a cidade com o maior número de habitantes do Ceará, é o município que mais se destaca na abertura dessas empresas. Mas também chamam atenção municípios como Juazeiro do Norte, Sobral, Tauá e Missão Velha. Fortaleza, em 2026, constituiu mais de 50 mil novas empresas. Então, quando a gente pega aqueles 100 mil novos negócios, 50% são empresas que foram instaladas na nossa capital.”
“É claro que Fortaleza e a Região Metropolitana acabam trazendo um número maior, uma velocidade maior, mas temos, sim, Juazeiro do Norte, o Sertão de Sobral e o Sertão Central como regiões que têm seus polos. Um exemplo é Tauá, que também apresenta números bastante expressivos. O crescimento é geral no Estado como um todo, mas Fortaleza concentra 49,92% dos negócios nesse recorte que estamos fazendo agora, de janeiro a julho de 2026”, disse.
NEGÓCIOS ENCERRADOS
Da mesma maneira que o número de empresas abertas no Ceará traz um resultado positivo, o volume de negócios encerrados também exige atenção, especialmente entre os microempreendedores.
“Vamos ter aquele negócio que começou pequeno, mas que infelizmente não prosperou e acaba tendo que encerrar. E, em especial, os MEIs. É até interessante fazer um alerta para você que está nos ouvindo e é MEI: é muito importante atender às obrigações acessórias, que são aquelas declarações que precisam ser enviadas uma vez ao ano. No caso do MEI, é preciso fazer a declaração corretamente e recolher o tributo de forma adequada.”
“Ao final de um exercício, é comum que a Receita Federal encerre automaticamente esses MEIs. Então, esse encerramento acaba atingindo, em sua maior parte, essas pequenas empresas que acabaram de se constituir. Por não terem tido treinamento ou experiência, muitas vezes acabam não atentando para essas obrigações. Cuidam do negócio de forma muito salutar, mas deixam de cumprir essas exigências e, infelizmente, ocorre esse encerramento involuntário. A pessoa, muitas vezes, continua exercendo a atividade, mas o CNPJ sofreu aquele prejuízo”, explicou.
Assista a entrevista na íntegra: