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Após o presidente Michel Temer (MDB) anunciar que não vai tentar se reeleger nas eleições deste ano, o nome do ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (MDB), foi oficializado como pré-candidato do MDB à Presidência da República. Meirelles, contudo, ainda busca garantir a aprovação de seu nome dentro do MDB para disputar o pleito, o que acontecer durante a convenção do partido, a ser realizad no final de julho ou no início de agosto, mas ainda sem data definida.

Meirelles foi oficializado como pré-candidato do MDB na última terça-feira, 22. Em evento na sede do partido em Brasília, Temer confirmou que não disputará a reeleição nas eleições de outubro deste ano. Meirelles foi ministro da Fazenda da atual gestão e lançou sua pré-candidatura com a filiação ao MDB no início de abril. Apesar de ter o apoio de Temer e aliados como o líder do Governo no Senado, Romero Jucá (RR), e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), Meirelles não é unanimidade dentro do MDB. Ele sofre forte resistência de caciques como Roberto Requião (PR), Eunício Oliveira (CE) e Renan Calheiros (AL) devido a interesses eleitorais nos respectivos estados.

Na convenção, caberá ao MDB escolher o candidato oficial à Presidência dentre os nomes apresentados – que, além de Meirelles, atualmente inclui o do senador Roberto Requião – ou definir qual a alternativa a ser tomada, como a aliança com candidato de outro partido ou a liberação da sigla para coligações estaduais.

Para ter o nome aprovado, Meirelles precisará de pelo menos a metade mais um dos votos válidos na convenção nacional. O número pode variar de acordo com o quórum presente na ocasião – o mínimo são 223 presentes. O colegiado é composto por 443 integrantes. Como alguns têm direito de votar mais de uma vez, por conta dos cargos que ocupam, a quantidade total de votos pode chegar a 629. Cada estado tem ainda um peso específico na votação determinado pela bancada dele no Congresso Nacional, entre outras regras. Entre os mais influentes estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Meirelles minimiza oposição

Nesta semana, Meirelles minimizou as oposições dizendo serem “normais” pelo tamanho do MDB e afirmou acreditar já ter ampla maioria para a convenção. Segundo o ex-ministro, ele conseguirá ter a candidatura respaldada com “vitória substancial”. Para Meirelles, o momento agora é de rodar o país, conversar com os representantes do MDB nos estados e fazer o “corpo a corpo”. Nas últimas semanas, ele tem se dedicado a conversar com parlamentares emedebistas, presidentes da Fundação Ulysses Guimarães regionais e diretórios estaduais. O objetivo é convencer quem controla o partido nos estados e costurar a aliança a seu nome internamente.

Um ponto suscitado pelos defensores de Meirelles é a capacidade de os opositores conseguirem barrar o seu nome. Segundo os aliados do ex-ministro, em conversas ao Portal Uol Notícias, Meirelles não será afetado, porque os contrários dispõem de poucos votos na convenção e são de estados de menor relevância no cenário emedebista nacional.

“Candidatura rebaixará partido”, diz Renan

O senador Renan Calheiros afirmou que “será muito difícil” Meirelles conseguir a aprovação na convenção, porque o partido tem consciência de que seu nome prejudicará o desempenho dos candidatos nos estados por falta de “densidade”. Pesa o fato de o MDB ser muito enraizado nacionalmente, com o maior número de vereadores, prefeitos, deputados estaduais e governadores eleitos no país. “Essa candidatura [do Meirelles] rebaixará o partido. Já perdemos 15 deputados federais e sete senadores nessa última janela partidária. Eu sou contra a candidatura porque acho que não acrescenta em nada do ponto de vista político e eleitoral”, disse.

Questionado sobre o fato de Meirelles de ter conversado com representantes do MDB nos estados, Renan falou que o pré-candidato conversou somente com os presidentes dos diretórios e ressaltou que não são apenas estes os votantes na convenção nacional. O senador Roberto Requião, que também se lançou pré-candidato à Presidência, afirmou estar conversando com os delegados do partido e garantiu ter o apoio de 80% deles. Na convenção, estima contar com 32 a 36 delegados paranaenses. Ainda assim, falou estar fazendo pesquisas sobre a receptividade de seu nome e não descarta se retirar. “Se tiver clima, eu vou. Se não tiver, não vou. Mas, pelo o que vi, vou ser obrigado a disputar”, disse.

Segundo o senador, o lançamento de Meirelles foi somente uma maneira de tirar Temer do pleito e tentarem liberar o partido para coligações regionais. Também de acordo com Requião, o ex-ministro não teria o apoio do MDB em 10 das 27 unidades federativas. Ele preferiu não citar quais seriam.

Agenda de pré-campanha

Além de buscar apoio do MDB, Meirelles mantém a agenda de pré-campanha para se tornar conhecido perante a população e melhorar sua posição nas pesquisas de intenção de voto. Na última pesquisa MDA/CNT divulgada sobre a intenção de votos dos candidatos à Presidência em cenário sem Lula, Temer e Joaquim Barbosa, Meirelles computou 0,5% da preferência dos entrevistados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Para sair do “economês” pelo qual é conhecido, Meirelles tem comparecido a eventos mais populares, como um culto neste sábado, 26, em comemoração aos 100 anos da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte no estádio Arena das Dunas, em Natal, com capacidade para cerca de 30 mil pessoas.

Nas viagens pelo Brasil, quando não em eventos para políticos e empresários, Meirelles também tem buscado utilizar roupas mais claras e informais, como camisetas polo, e falas mais simples. A tática já foi implementada em vídeo de pré-campanha divulgado nesta semana. Além de mostrar seu histórico e sua origem humilde, Meirelles distribui sorrisos e abraços com cachorros.

O ex-ministro da Fazenda está em processo de finalizar a composição de sua equipe de campanha. Entre os confirmados estão o publicitário Chico Mendez e o advogado João Henrique Almeida de Sousa, conselheiro do atual presidente. Meirelles ainda conversa com o marqueteiro de Temer, Elsinho Mouco, e o advogado Gustavo Guedes, que defendeu o presidente no processo que buscava cassar a chapa Dilma Rousseff/Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com informações do Uol Notícias

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