O crescimento das apostas online no Brasil também chama atenção para um problema de saúde pública: a ludopatia, transtorno relacionado ao comportamento compulsivo de apostar. A facilidade de acesso às plataformas digitais pode transformar uma atividade inicialmente recreativa em um comportamento que provoca impactos financeiros, sociais e emocionais.
A dependência pode se desenvolver de maneira gradual. Em muitos casos, as apostas começam com valores baixos e de forma ocasional. Com o tempo, porém, a busca pela sensação de ganhar ou pela tentativa de recuperar o dinheiro perdido pode aumentar a frequência e os valores apostados.
A ludopatia é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e está classificada no CID-10 como F63.0. O transtorno pode estar associado a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, além de conflitos familiares, dificuldades financeiras e isolamento social.
Quais são os sinais da ludopatia?
A mudança de comportamento pode ser um dos principais indicativos de que as apostas deixaram de ser uma atividade de lazer e passaram a representar um problema.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- preocupação constante com apostas, incluindo planejamento da próxima jogada e busca por dinheiro para continuar apostando;
- necessidade de aumentar os valores apostados para obter a mesma sensação de satisfação;
- irritabilidade ou inquietação ao tentar reduzir ou interromper as apostas;
- mentir para familiares e amigos para esconder a frequência ou os valores gastos;
- perda de interesse por hobbies e outras atividades que antes proporcionavam prazer;
- uso das apostas como forma de fugir de problemas, estresse, tristeza ou outras dificuldades emocionais;
- tentativa repetida de recuperar, por meio de novas apostas, o dinheiro perdido anteriormente.
A presença de alguns desses sinais de forma recorrente pode indicar a necessidade de buscar avaliação e acompanhamento profissional.
Onde buscar ajuda gratuita
O tratamento para a ludopatia pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas que enfrentam problemas relacionados ao jogo podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientação e, quando necessário, encaminhamento para serviços especializados em saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
O atendimento pode envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico, de acordo com a necessidade de cada pessoa.
Em situações de sofrimento emocional intenso ou crise, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.
Outra possibilidade são os grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos (JA), que oferecem encontros para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao jogo. O compartilhamento de experiências pode ajudar na busca por apoio e no processo de recuperação.
Buscar ajuda nos primeiros sinais de perda de controle pode facilitar o acesso ao tratamento e reduzir os impactos da dependência na vida pessoal, familiar e financeira.