O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira (4/11), que legistas da Polícia Federal participem das investigações sobre a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, incluindo quatro agentes. Em entrevista concedida em Belém (PA), Lula classificou a ação como uma “matança” e afirmou que a decisão judicial autorizava prisões, não execuções.
“Vamos ver se conseguimos fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, declarou o presidente à Associated Press e à Reuters.
A operação, considerada a mais letal da história do estado, foi realizada no último dia 28 contra o Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha. O presidente defendeu que o governo federal acompanhe o caso e afirmou que é preciso esclarecer as condições em que a ação foi conduzida, uma vez que “até agora, só há a versão contada pela polícia e pelo governo estadual”.
O governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como “um sucesso”, mas as mortes provocaram forte repercussão política e social, mobilizando os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial), que foram ao Rio para acompanhar as investigações.
O Supremo Tribunal Federal (STF) também atua no caso. O ministro Alexandre de Moraes determinou que o governo fluminense preserve todos os elementos materiais e periciais da operação, garantindo acesso à Defensoria Pública e ao Ministério Público, para que seja possível o controle e a verificação da atuação policial.
Lula já havia defendido o combate ao crime organizado, mas esta foi sua primeira crítica direta à condução da operação. Ele reforçou que é preciso uma política de segurança pública que enfrente as facções sem colocar em risco policiais e civis.
“O dado concreto é que, do ponto de vista da quantidade de mortes, alguns consideram um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, foi desastrosa”, concluiu o presidente.
