Médicos criados por IA espalham falsas terapias e já somam mais de 70 milhões de visualizações no YouTube

Perfis de supostos médicos criados por inteligência artificial estão impulsionando uma nova onda de desinformação em saúde nas redes sociais. Com identidades e currículos falsos, esses personagens divulgam tratamentos sem comprovação científica, desencorajam o uso de medicamentos e vendem e-books e outros produtos. Levantamento da organização CTRL+Z identificou ao menos 29 canais no YouTube, que já ultrapassam 70 milhões de visualizações, sendo cerca de 10 milhões apenas em junho.

Segundo especialistas, os vídeos simulam consultas médicas para conquistar a confiança do público, principalmente idosos e pessoas com doenças crônicas. Entre as falsas recomendações estão o uso de ervas, vinagre de maçã e outros produtos naturais como substitutos de tratamentos comprovados para diabetes, hipertensão e colesterol.

A pesquisadora Nicole Sanchotene, do NetLab/UFRJ, classifica o fenômeno como “a nova face da desinformação”. “Antes era necessário conhecimento técnico para produzir conteúdos ultrarrealistas. Hoje, qualquer pessoa consegue fazer isso em poucos minutos com ferramentas de IA”, alerta.

O Google informou que conteúdos gerados por inteligência artificial devem seguir as políticas do YouTube contra desinformação médica, mas muitos dos canais identificados continuam disponíveis na plataforma. Especialistas alertam que, além de colocar vidas em risco, esse modelo de fraude transforma a desinformação em um negócio altamente lucrativo.