O medo da violência passou a fazer parte da rotina da grande maioria das mulheres brasileiras. Pesquisa realizada pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, aponta que 94% das mulheres sentem medo da violência no dia a dia no Brasil. Entre os homens, o percentual é de 84%.
Os números revelam uma realidade que vai além da sensação de insegurança. O medo interfere na liberdade de ir e vir, modifica hábitos de lazer e influencia decisões relacionadas ao trabalho, aos estudos e aos lugares frequentados.
No conjunto da população entrevistada, 89% dos brasileiros dizem sentir medo da violência no cotidiano. Quando a pergunta envolve os deslocamentos pelas cidades, o índice chega a 92%.
Entre as mulheres, porém, a insegurança permanece ainda mais elevada: 94% relatam medo tanto no cotidiano quanto nos deslocamentos urbanos.
QUASE 8 EM CADA 10 MULHERES RELATAM ALGUM TIPO DE AGRESSÃO
Outro dado dimensiona a preocupação: 78% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter passado por pelo menos um tipo de agressão, percentual que, segundo o estudo, corresponderia a aproximadamente 68,2 milhões de brasileiras.
A violência psicológica foi mencionada por 31% das entrevistadas. A violência sexual aparece em 21% dos relatos; a doméstica, em 15%; e a física, em 13%.
Os dados ajudam a explicar por que a insegurança se transforma em preocupação permanente para tantas mulheres.
MEDO MUDA LAZER, TRABALHO E ESTUDO
Cerca de 80% das entrevistadas afirmam que o medo da violência interfere em diferentes áreas de suas vidas.
Entre elas, 62% disseram ter mudado hábitos de lazer e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam.
Mais grave ainda é o impacto sobre decisões relacionadas ao futuro: 45% afirmaram ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo em razão da insegurança.
98% MUDAM A ROTINA PARA SE PROTEGER
A necessidade de adotar estratégias de proteção é praticamente generalizada.
Segundo a pesquisa, 98% das mulheres mudam algum comportamento ou hábito cotidiano por preocupação com a própria segurança.
Entre as precauções, 90% evitam determinados lugares; 88% procuram não expor informações pessoais nas redes sociais; 84% evitam utilizar o celular na rua; e 83% evitam sair à noite.
São mudanças que mostram como o medo pode limitar escolhas simples da vida cotidiana.
TRANSPORTE PÚBLICO AMPLIA SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA
Paradas e estações de transporte público aparecem entre os ambientes que provocam maior sensação de insegurança: 42% das mulheres dizem não se sentir seguras nesses locais.
Em bares, festas e casas noturnas, o percentual chega a 41%. Dentro dos próprios ônibus e demais transportes coletivos, 33% relatam insegurança.
Os números colocam os deslocamentos urbanos no centro da discussão sobre segurança das mulheres e mostram como a preocupação acompanha muitas brasileiras desde o momento em que saem de casa até o retorno.
ROUBO, ASSALTO E VIOLÊNCIA SEXUAL ENTRE OS MAIORES TEMORES
O roubo de celular aparece entre os medos mais disseminados, citado por 97% das mulheres, mesmo percentual registrado para o temor de sofrer um assalto violento.
O medo de furto de objetos chega a 96%; invasão da residência, a 95%; e violência sexual, a 94%.
A pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência” ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do País, entre 22 e 30 de abril de 2026, por meio de formulário digital. A margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais.