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Com a retomada das obras do Eixo Norte, há 30 dias, será possível levar água da transposição do São Francisco ao Ceará a partir de janeiro de 2018. A previsão é do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, que participou de uma audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) nesta quarta-feira (23).

Segundo o ministro, no momento há 948 profissionais na obra de finalização do trecho 1 do Eixo Norte. Nos próximos 30 dias, este número deve saltar para quase 2 mil trabalhadores, possibilitando a abertura de mais um turno de atividades.

A água vai ser direcionada ao Ceará por Jati, na divisa com Pernambuco. De lá pode chegar à Bacia de Jaguaribe, que está integrada a Fortaleza. Ainda segundo Helder, será prioridade concluir o eixo Norte para que em abril, ou mais tardar em maio, a água possa ser entregue também em São José de Piranhas, no extremo Oeste da Paraíba.

O Eixo Norte do projeto de transposição parte de Cabrobó, em Pernambuco, e vai até a Paraíba, passando por um pequeno trecho do Ceará. Há também o Eixo Leste, que está pronto e em operação, apesar de faltarem algumas obras complementares. Graças ao funcionamento do Eixo Leste, conforme o ministro, Campina Grande (PB) deixará nos próximos meses a situação de racionamento para voltar à normalidade hídrica.

Espera

A população do Rio Grande do Norte vai ter que esperar mais um pouco. Isto porque o Ramal de Apodi, que é uma espécie de extensão do Eixo Norte só terá as obras iniciadas no ano que vem. O projeto executivo foi concluído; o empreendimento está orçado em R$ 2,1 bi, mas a verba para 2018 é de apenas R$ 370 milhões.

— Não é possível começar em 2017. Nosso cronograma era concluir o projeto executivo, o que foi feito. Obra é recurso. Colocamos R$ 370 milhões porque era o disponível, mas o Parlamento pode aperfeiçoar a peça orçamentária, direcionando mais verba — afirmou o ministro.

Diante da situação, a presidente da CDR, senadora Fátima Bezerra (PT-RN), confirmou o compromisso dos parlamentares de direcionarem emendas de bancada para as obras do Apodi. O mesmo deve ser feito com o Ramal de Piancó, que vai favorecer a Paraíba e sequer tem projeto executivo pronto.

Ela destacou a situação difícil pela qual passam os municípios do Rio Grande do Norte. Segundo ela, trata-se de um colapso, visto que 80% dos reservatórios monitorados estão com capacidade hídrica abaixo de 20%.

— A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, que é o maior e mais importante reservatório, chegará ao volume morto em dezembro — alertou.

O mesmo deve ocorrer com Sobradinho, segundo a senadora Lídice da Mata (PSB-BA). Segundo ela, o lago, que fica no Norte da Bahia, está apenas com 8,4% de sua capacidade. Com isso, a vazão que deveria ser de no mínimo 1.300 m³ por segundo, não passa de 500 m³, tornando inevitável o racionamento em municípios da região.

Revitalização

Os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) mostraram-se preocupados com a qualidade e quantidade da água do São Francisco e cobraram ações do governo para a revitalização. O ministro reconheceu o atraso, mas disse que não quer buscar culpados.

— É fato que estamos atrasados. Culpa de quem? Não cabe agora olhar para o retrovisor. Hoje há um alarmismo sobre o assunto, mas se não agirmos teremos problemas futuros. Isso é fato — afirmou, antes de citar ações do governo, como obras de esgotamento sanitário de municípios, desobstrução de calha e outras intervenções emergenciais.

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