O mercado de trabalho doméstico no Ceará revela um cenário de forte informalidade e preocupação previdenciária. Dados apontam que o Estado possui cerca de 231 mil trabalhadores domésticos, mas apenas 28 mil têm carteira assinada. Isso significa que aproximadamente 88% da categoria atua sem vínculo formal de trabalho.
A maioria trabalha como diarista, modelo que vem crescendo nos últimos anos e que, em muitos casos, garante renda mensal maior do que o emprego formal. Muitos profissionais optam por não ter carteira assinada justamente porque conseguem ampliar os ganhos trabalhando em diferentes residências ao longo da semana.
Por outro lado, a informalidade traz consequências diretas para o futuro desses trabalhadores. Sem recolhimento ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), milhares de pessoas ficam sem acesso a benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e aposentadoria por invalidez.
Além disso, quem atua sem registro também perde direitos trabalhistas importantes, como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), férias remuneradas, décimo terceiro salário e seguro-desemprego.
O advogado Paulo Bacelar, em participação no Jornal Alerta Geral, destaca que o aumento do trabalho informal pode gerar um impacto social ainda maior nos próximos anos, principalmente diante do envelhecimento da população e da necessidade de proteção previdenciária para trabalhadores de baixa renda.
