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A turbulência será inevitável na convivência entre PT e PDT no Ceará. O cenário nacional, com as declarações do ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes, ao dizer que não quer mais aliança com o PT, terá reflexos na política estadual. Ciro, ao lado do irmão eleito senador Cid Gomes, garantiu dois mandatos de governador ao petista Camilo Santana – eleição em 2014 e reeleição em 2018.

Ciro, ao votar, nesse domingo, em Fortaleza, reafirmou as suas diferenças com o PT, ficou distante do segundo turno, frustrou os petistas que o tinham como um voto declarado para Fernando Haddad, e anunciou que aliança com o Partido dos Trabalhadores nunca mais: ‘’Se depender de mim, PT nunca mais. Meu caminho é o de fazer oposição, temos que desarmar essa bomba odienta que se instalou no país, essa polarização’’, disparou Ciro, de forma enfática, mas com uma frase que pode ser refeita com a dinâmica da política.

A frase de Ciro Gomes é o retrato de quem, nos dois meses que antecederam à oficialização dos candidatos à Presidência da República, esperava um gesto do PT para apoiá-lo diante da impossibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula entrar na corrida ao Palácio do Planalto. O PT insistiu, porém, com o nome de Lula, mesmo com a certeza de que, condenado e preso, o líder petista estava inelegível.

O PT ignorou Ciro e o golpeou ao atrair o PC do B para a composição de chapa e convencer o PSB a entrar na linha de neutralidade. Ciro ficou isolado com o PDT e, ao final do primeiro turno,  somou mais de 13,3 milhões de votos – um capital eleitoral que o credencia a conduzir uma oposição e se transformar em uma das fortes opções para 2022. São quatro anos pela frente, mas com articulações que começam a partir desta semana e passam pelas eleições de 2020.

IMPACTO NA POLÍTICA DO CEARÁ

O gesto de Ciro Gomes terá impacto na política do Ceará e representa mais uma etapa dos conflitos surgidos nos últimos meses na relação com o PT e com o Governador Camilo Santana. Os abalos ganharam mais espaço com a aliança entre Camilo e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). Camilo contrariou Ciro e decidiu apoiar à reeleição de Eunício. Durante a campanha, Ciro manteve as críticas ao emedebista e, na reta final da disputa no primeiro turno, recebeu a solidariedade de prefeitos e ex-prefeitos que deixaram de votar em Eunício. O nome de maior expressão nessa estratégia foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT).

Encerrado o primeiro turno, Ciro Gomes ficou fora do segundo turno, não aceitou subir no palanque do candidato do PT, Fernando Haddad, e preferiu viajar para a Europa. A ausência gerou frustração no comando da campanha de Haddad. Com Ciro na Europa, o irmão Cid, eleito senador, criou um dos principais fatos no segundo turno da campanha presidencial: durante um evento mobilizado pelo governador Camilo Santana para fortalecer a candidatura de Fernando Haddad no Ceará, Cid abriu os discursos e, ao pedir uma autocritica do PT, recebeu vaia, ficou irritado, direcionou a palavra ao militante que o hostilizava e o chamou de babaca.

INCÔMODO DE CAMILO SANTANA

O ambiente na reunião ficou meio amargo e o episódio fez o deputado federal José Nobre Guimarães falar grosso e declarar o fim da aliança com o PT. Guimarães se arrependeu do arroubo, apagou a mensagem distribuída pelas redes sociais, adotou um tom mais ameno e afirmou que a aliança com o PDT precisa ser repensada.

O incômodo ficou no colo do governador Camilo Santana que cumpriu o papel de bombeiro e faz esforços para manter unido o grupo que o conduziu ao comando político e administrativo do Estado. É cedo e precipitado para se falar em rompimento, embora esse seja o desejo de alguns petistas mais apressados.

Há, porém, gente com bom senso e que, como Camilo Santana, trabalha pela pacificação e pela manutenção da aliança entre PT e PDT. Com um claro aspecto: a unidade na base de Camilo terá altos e baixos. Dois novos capítulos surgirão nesse cenário: a composição do secretariado do segundo governo de Camilo e a disputa, no dia primeiro de fevereiro de 2019, pela Presidência da Assembleia Legislativa. Outro componente precisa ser levado em conta: com a vitória de Jair Bolsonaro exigirá de Camilo, Cid e Ciro um esforço redobrado para manter a unidade do grupo e evitar o fortalecimento no Ceará dos aliados do novo presidente da República.

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