Número de brasileiros com obesidade cresce 69% em 30 anos

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As doenças crônicas deixaram de ser o principal alerta relacionado à saúde da população, enquanto o excesso de peso e a obesidade ganharam espaço como importantes fatores de risco. Em apenas três décadas, o percentual de brasileiros com mais de 25 anos classificados como obesos passou de 7,8% para 27,7%, um aumento de quase 20 pontos percentuais.

Entre os países da América Latina, o Brasil apresentou o maior crescimento da obesidade no período. Os dados fazem parte do estudo Carga Global de Doenças (GBD, na sigla em inglês), publicado pela revista The Lancet.

OBESIDADE E OUTRAS DOENÇAS

De acordo com o Ministério da Saúde, a obesidade está entre os principais fatores de risco para doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, diversos tipos de câncer — especialmente os de cólon, reto e mama —, além de doenças renais e asma.

O levantamento mostra ainda que a proporção de brasileiros com excesso de peso, incluindo sobrepeso e obesidade, aumentou de 40,3%, em 1990, para 66,8%, em 2023. Na prática, cerca de dois em cada três brasileiros estão acima do peso. No mesmo período, o crescimento na América Latina foi de 47%, enquanto no Brasil chegou a 69%.

Apesar desse cenário, a percepção que os brasileiros têm sobre a própria saúde é mais positiva. Segundo a pesquisa “A Saúde do Brasileiro — Hábitos de Vida e o Uso de Tecnologia em Diagnósticos Médicos”, realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, 60% dos entrevistados consideram a própria saúde ótima ou boa. O resultado ocorre mesmo diante de um cenário em que 63% estão acima do peso e 42% são sedentários.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação também aparece entre os hábitos avaliados. Segundo a pesquisa, 66% dos brasileiros afirmam consumir alimentos frescos, como carnes, verduras, ovos e frutas, em seis dias da semana. Já produtos ultraprocessados, açúcar, doces e frituras são consumidos, em média, duas vezes por semana.

Entre aqueles que reconhecem não manter uma alimentação adequada, 29% apontam o preço elevado de carnes, frutas e vegetais como uma das principais dificuldades. Outros 21% afirmam que se sentem cansados ou não têm tempo para preparar as refeições.

A dificuldade é ainda maior entre as pessoas de menor renda. Entre quem recebe até um salário mínimo, 40% relatam dificuldades para manter uma alimentação adequada. O percentual cai para 10% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.

OBESIDADE NOS MAIS NOVOS

O avanço da obesidade também atinge crianças e adolescentes. Dados publicados pela The Lancet mostram que, entre 1990 e 2022, a taxa de obesidade entre meninas de 5 a 19 anos passou de 3,1% para 14,3%. Entre os meninos da mesma faixa etária, o índice subiu de 3,1% para 17,1%.

Nesse cenário, medicamentos utilizados no tratamento da obesidade ganharam espaço. Um dos mais conhecidos é o Mounjaro, à base de tirzepatida, que atua na regulação da saciedade e no controle dos níveis de glicose no sangue.

A popularização do medicamento também tem provocado uma mudança na procura por atendimento médico, com um número maior de pessoas buscando consultas já com o objetivo de avaliar a possibilidade de receber uma prescrição.