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Integrantes de partidos aliados ao PSDB na corrida presidencial e os próprios tucanos votaram quase sempre juntos e a favor de projetos apoiados pelo Governo Temer no Congresso Nacional desde a chegada do emedebista ao poder, há dois anos.

Levantamento feito pelo Jornal Folha de São Paulo nos registros das principais votações do período mostra que as bancadas desses partidos, dos quais cinco se aglutinam no bloco conhecido como Centrão, raramente divergiram da orientação de suas lideranças e do governo.

Esse comportamento indica que os tucanos e seus aliados têm mantido grau elevado de disciplina partidária e coesão ideológica em sua atuação parlamentar, ao contrário do que sugerem críticas dirigidas à aliança construída pelo candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

Segundo o Banco de Dados Legislativos do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em média 88% dos congressistas do PSDB votaram com o Governo desde o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a posse de Temer.

Nas bancadas dos oito partidos alinhados com Alckmin (DEM, PP, PPS, PR, PRB, PSD, PTB e SD), o apoio ao presidente variou entre 83% e 89%. Todos esses partidos ocuparam cargos no governo. Com exceção do Solidariedade, cada um ganhou um Ministério.

Críticos da aliança que sustenta o presidenciável tucano temem que ela o torne refém de grupos contrários ao equilíbrio das contas públicas e pressões corporativas, como a dos sindicatos de trabalhadores ligados ao Solidariedade.

Mas a atuação desses partidos no Congresso mostra que as diferenças entre eles foram pontuais nos últimos anos. A maioria dos integrantes do Solidariedade votou contra a reforma trabalhista no ano passado, mas se alinhou com as outras siglas em outros temas.

O PRB foi contra a criação de um cadastro positivo para devedores neste ano, mas os outros votaram a favor. Questões regionais provocaram defecções na votação do projeto que autorizou a privatização de distribuidoras da Eletrobras, mas a maioria apoiou o governo nesse caso também.

Os tucanos e seus aliados jogaram juntos mesmo quando contrariaram o presidente. No mês passado, o PSDB e todos os partidos que apoiam a candidatura de Alckmin contribuíram para derrubar o veto que Temer queria impor a novos reajustes salariais de servidores no próximo ano.

“Esses partidos vão apoiar o governo que for eleito e o programa que o novo governo quiser implementar, seja quem for o vencedor”, diz o cientista político Fernando Limongi, professor da Universidade de São Paulo. “Eles não terão como sobreviver se não fizerem parte do governo.”

Quando o acordo com o Centrão foi selado, o Solidariedade decidiu manter o apoio a Alckmin mesmo depois de o tucano deixar claro que não está disposto a rediscutir o fim do imposto sindical, extinto pela reforma trabalhista.

“O apoio desses partidos pode servir como alavanca para um governo reformista, e o fato de isso ter sido feito com antecedência pode ajudar”, diz o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que foi relator da reforma trabalhista.

Mas nada garante que Alckmin terá vida fácil no Congresso se for eleito. Nas discussões da reforma da Previdência, que o governo Temer deixou de lado no início do ano, aliados do Palácio do Planalto identificaram grande resistência à proposta no PR, a terceira maior força do Centrão.

Patrocinado por um senador do PR numa comissão do Congresso, um projeto de lei que compensa perdas sofridas pelos estados com benefícios fiscais concedidos a exportadores pode custar R$ 39 bilhões ao próximo governo.

Em julho, quando o Senado contrariou o governo ao aprovar a manutenção de benefícios tributários para indústrias de refrigerantes, os tucanos e seus aliados se separaram, porque alguns estados temem perder receitas com a medida.

“Apesar das diferenças em algumas votações, o comportamento desses partidos tem sido muito parecido”, diz Cesar Zucco, professor da Fundação Getúlio Vargas. “O PSDB se inclinou do centro para a direita nos últimos anos e ficou mais parecido com os partidos do Centrão.”

Com informações do Jornal Folha de São Paulo