A pouco mais de 24 horas do primeiro turno das Eleições 2026, partidos e federações no Ceará intensificam os cálculos sobre o número de cadeiras que poderão conquistar na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). As projeções são baseadas na força das nominatas, no desempenho esperado dos candidatos, na votação de legenda e na distribuição das vagas pelo sistema proporcional.
No Ceará, estão em disputa 22 cadeiras para deputado federal e 46 vagas para deputado estadual. Diferentemente das eleições para presidente, governador e senador, a definição dos deputados ocorre pelo sistema proporcional, no qual a votação de cada partido ou federação é determinante para estabelecer quantas cadeiras serão conquistadas.
Câmara Federal
Na disputa pela Câmara dos Deputados, os partidos trabalham com cenários de renovação da bancada cearense. Dos atuais 22 deputados federais, pelo menos quatro não concorrem novamente ao cargo: Luizianne Lins, Júnior Mano, Eunício Oliveira e José Guimarães. Com isso, independentemente do resultado das urnas, pelo menos quatro novas pessoas deverão ocupar cadeiras do Ceará em Brasília a partir de 2027.
O cenário também é marcado pela presença de candidatos com mandato e por novas candidaturas consideradas competitivas pelas próprias legendas. Entre os partidos que apostam em chapas fortes estão PSB, PT, PL, União Brasil, PSD, Republicanos e as federações partidárias.
PSB
O PSB, que passou por um processo de crescimento no Estado desde 2022, aposta em nomes como Idilvan Alencar, Robério Monteiro e Romeu Aldigueri, além de outras candidaturas. A legenda também trabalha com a possibilidade de ampliar sua representação na Câmara.
BRASIL DA ESPERANÇA
Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, estão nomes como Eduardo Bismarck e Inácio Arruda, além de candidaturas petistas. A composição da federação faz com que os votos das três siglas sejam contabilizados conjuntamente para a distribuição das cadeiras.
PL
Outra disputa acompanhada de perto é a do PL, que busca preservar e ampliar seu espaço na bancada federal. A legenda reúne nomes com mandato e candidatos que tentam conquistar uma cadeira pela primeira vez.
UNIÃO PROGRESSISTA
Também estão no cálculo a União Progressista, formada por União Brasil e PP, além das federações PSDB/Cidadania e PSOL/Rede e da federação Renovação Solidária, composta por PRD e Solidariedade.
Projeções para a Alece
Na Assembleia Legislativa, as contas dos partidos também apontam para uma disputa acirrada. O PSB trabalha com uma meta de 14 cadeiras e disputa pela 15ª vaga, segundo o líder da legenda na Alece, Marcos Sobreira. A projeção representa uma ampliação em relação à meta inicial de repetir as 13 cadeiras conquistadas pelo então PDT em 2022.
A Federação Brasil da Esperança também projeta uma bancada numerosa. O deputado estadual De Assis Diniz, do PT, trabalha com uma estimativa de 12 cadeiras para a federação, com possibilidade de alcançar uma 13ª vaga.
Na oposição, o PL estabelece como meta eleger entre seis e sete deputados estaduais. Já o PSDB, que disputa pela federação com o Cidadania, trabalha com uma projeção de sete cadeiras. As duas estimativas são apresentadas por integrantes das próprias legendas.
O MDB, por sua vez, avalia a possibilidade de manter as três cadeiras que possui atualmente e ainda disputar uma quarta vaga, dependendo do desempenho da chapa e da distribuição das sobras. O PSOL também trabalha para ampliar sua representação de uma para duas cadeiras, enquanto o PSD aparece entre as siglas que projetam crescimento, podendo passar de dois para três deputados.
Disputa envolve 374 candidatos
A quantidade de candidaturas também mudou em relação a 2022. Neste ano, 374 candidatos disputam as 46 cadeiras da Alece, número 34,6% menor que os 572 postulantes registrados quatro anos atrás.
Para a Câmara Federal, são 273 candidaturas, contra 341 em 2022, uma redução de aproximadamente 20%. A diminuição está relacionada, entre outros fatores, às mudanças na organização partidária, ao crescimento das federações e às estratégias adotadas pelas legendas para concentrar recursos e votos em candidaturas consideradas competitivas.
O que pode definir as cadeiras
As estimativas dos partidos não representam pesquisas eleitorais nem antecipam o resultado da eleição. A composição final dependerá da votação de cada legenda e federação e da aplicação das regras do sistema proporcional.
No modelo proporcional, os votos válidos são utilizados para calcular o quociente eleitoral, enquanto a votação obtida por cada partido ou federação determina a quantidade de cadeiras conquistadas. Depois, os candidatos mais votados dentro de cada legenda ocupam as vagas, respeitados os critérios previstos na legislação eleitoral.
Assim, uma candidatura com votação individual elevada pode não ser suficiente para garantir uma cadeira se o partido ou federação não alcançar votação necessária para conquistar vaga. Da mesma forma, o desempenho conjunto de uma chapa pode permitir que candidatos com votações menores sejam eleitos.
Com as urnas abertas neste domingo, 4 de outubro, as projeções feitas internamente pelas legendas serão colocadas à prova. O resultado definirá não apenas os 22 representantes do Ceará na Câmara Federal, mas também a nova correlação de forças entre os partidos na Assembleia Legislativa, que terá 46 cadeiras a partir de 2027.