Pesquisa revela avanço do crime organizado e mostra que 4 em cada 10 brasileiros convivem com tráfico e milícias

Foto: Reprodução

Um estudo divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Datafolha, revela um dado alarmante sobre a expansão da criminalidade no país: pelo menos quatro em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais — o equivalente a cerca de 68,7 milhões de pessoas — afirmam conviver, nos bairros onde moram, com a presença de grupos ligados ao tráfico de drogas ou às milícias.

Os números fazem parte da pesquisa “Medo do Crime e Eleições 2026: Os Gatilhos da Insegurança”, realizada para medir não apenas a sensação de insegurança da população, mas também identificar os tipos de crimes mais associados ao medo cotidiano dos brasileiros.

O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 10 de março deste ano e ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios espalhados por todas as regiões do Brasil, incluindo capitais, regiões metropolitanas e cidades do interior.

A pesquisa utilizou metodologia quantitativa com entrevistas presenciais realizadas em locais de grande circulação de pessoas.

Segundo a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, o resultado chama atenção pela dimensão territorial alcançada pelo crime organizado. “É um dado muito impactante, porque demonstra um pouco da difusão da criminalidade no território”, afirmou.

GARGALO NAS CAPITAIS

De acordo com o estudo, a percepção da presença de facções criminosas e milícias é ainda mais intensa nas capitais brasileiras, onde mais de 55% dos entrevistados disseram perceber atuação desses grupos em suas regiões.

A pesquisa também detalha como a população percebe essa atuação criminosa no cotidiano. Entre os entrevistados que afirmam notar a presença de organizações criminosas nos bairros onde vivem, 43,4% classificam essa presença como “pouco visível”, enquanto outros 9% dizem que ela é “nada visível”.

ATUAÇÃO VISÍVEL

Por outro lado, 25,3% consideram a atuação das facções “muito visível”, enquanto 21,1% afirmam que ela é simplesmente “visível” nas comunidades onde residem.

O estudo cita grupos criminosos como PCC e Comando Vermelho entre as organizações lembradas pelos entrevistados.

A divulgação da pesquisa ocorre em um momento em que a segurança pública assume protagonismo no debate nacional.

O Governo Federal lança, nesta terça-feira (12), um novo plano nacional de combate ao crime organizado, com previsão de investimentos de R$ 960 milhões ainda neste ano.

O tema também esteve na pauta da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro realizado na última semana em território norte-americano.

Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o avanço das facções criminosas e a sensação de insegurança deverão ocupar espaço central nas discussões eleitorais de 2026.

O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.