Prefeito francês ‘proíbe’ moradores de ficarem doentes para denunciar crise na saúde

O prefeito de uma pequena comuna em Lot-Et-Garonne, no sudoeste da França, emitiu um decreto um pouco diferente na segunda-feira, dia 28 de setembro: ele proibiu que seus moradores da cidade fiquem doentes.

Joël Hocquelet. ex-médico e atual prefeito socialista da comuna de Marmande, tomou a decisão de forma irônica: ele queria denunciar as dificuldades de acesso à saúde e as suas preocupações com o futuro do hospital da cidade.

Em entrevista ao jornal La Dépêche du Midi, o prefeito afirma que o decreto é uma piada, mas “a situação no nosso hospital não é”.

“Não podemos proibir as pessoas de ficarem doentes. Mas também não podemos aceitar que sejam obrigadas a viajar dezenas de quilômetros para receber tratamento”, afirma Hocquelet.

Ele faz referência ao Centro Hospitalar Intermunicipal de Marmande-Tonneints (CHI-MT), que atende cerca de 110 mil pessoas da região de Lot-Et-Garonne. O local enfrenta dificuldades há anos. Em 2026, a Agência Regional de Saúde decidiu colocá-lo sob administração provisória.

“Aconselha-se a todos que apresentem os primeiros sintomas de uma doença que tomem as providências necessárias para adiá-la para uma data posterior, sujeita à disponibilidade de atendimento médico no Centro Hospitalar Intermunicipal de Marmande-Tonneins (CHIC-MT)”, diz o decreto.

Decreto foi feito de forma irônica — Foto: Reprodução
Decreto foi feito de forma irônica — Foto: Reprodução

O hospital corre risco de perder algumas especialistas, reduzindo os serviços de saúde oferecidos pelo hospital: “Se nos tornarmos um hospital local, com redução na oferta de cuidados, não seríamos mais capazes de lidar nem mesmo com emergências reais, não haveria nem laboratório de biologia, ou apenas o mínimo necessário…”, denuncia o prefeito.

Entre as especialidades que deixariam de ser atendidas, estão cardiologia, gastroenterologia e diabetologia, que seriam transferidos para Agen, que fica a mais de uma hora de distância.

“Não quero que o código postal se torne um fator determinante na saúde”, denuncia Hocquelet.