Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

A recuperação lenta do mercado de trabalho ocorrida de abril a junho beneficiou mais os homens e, especialmente, profissionais com maior nível de instrução. Como um todo, a taxa de desemprego recuou de 13,7% no primeiro trimestre para 13% no período seguinte, a primeira queda desde 2014.

Os menos instruídos, porém, mal sentiram essa leve melhora. No grupo de pessoas com ensino fundamental incompleto, a taxa de desemprego caiu de 12,6% para 12,2% –baixa de 0,4 ponto. Entre os sem instrução, houve pequena baixa de 0,1 ponto, para 10,8%. Nos com fundamental completo, a queda foi de 0,2 ponto, para 15%.

No outro extremo, as quedas foram mais significativas. No superior completo, a taxa de desemprego caiu de 7,1% para 6,4% (0,7 ponto). A queda mais forte, de 2,4 pontos, foi registrada pelo grupo com ensino médio incompleto, mas a taxa de desemprego dessa fatia ainda é bastante alta, de 21,8%.

Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre, da FGV, diz que os mais qualificados, em especial os homens, são beneficiados por um duplo movimento. Eles demoram mais para ser atingidos pela crise e tendem a ser os primeiros a ser beneficiados pela retomada.

“A demanda por essas pessoas é mais forte, em razão da maior experiência e produtividade, o que faz com que essa mão de obra fique mais protegida na crise”, afirma. Thiago Xavier, da consultoria Tendências, observa também que a geração de vagas para os mais instruídos cresce desde o início da crise.

No segundo trimestre, por exemplo, a população ocupada com ensino superior cresceu 4,7% em relação a igual período de 2016, enquanto o grupo com fundamental completo encolheu 12,4%.

“Apesar da recessão, a economia não perdeu a capacidade de gerar vagas para os mais qualificados”, diz Xavier. Entre os menos escolarizados, no entanto, a queda na ocupação já ocorria em 2013 e se intensificou.

O economista diz que, desde o início da crise, a taxa de desemprego cresceu entre os mais instruídos não porque ocorreram mais demissões. Mas porque apareceram mais indivíduos desse grupo na busca por emprego.

Entre os menos escolarizados, a trajetória é oposta. Há cada vez menos gente procurando trabalho, mas as demissões conseguem superar esse movimento, o que eleva a taxa de desemprego.

Se a comparação for feita entre homens e mulheres e o recorte for o rendimento médio de cada um dos grupos, o movimento do primeiro para o segundo trimestre do ano não foi bom para ambos. Para as mulheres, o cenário foi ainda mais difícil.

A renda média dos homens caiu R$ 9, de R$ 2.285 para R$ 2.276. As das mulheres caiu R$ 41. O grupo, cuja remuneração é historicamente mais baixa que a dos homens, viu seu rendimento médio encolher de R$ 1.772 para R$ 1.731. Com a perda, as mulheres receberam, em média, 76% do rendimento médio dos homens entre abril e junho.

No primeiro trimestre, o grupo recebia quase 78% do rendimento dos homens, a menor diferença desde 2012. Para Ottoni, da FGV, parte da diferença salarial entre os sexos se deve ao afastamento mais frequente da mulher do mercado de trabalho. “Mas também há preconceito.”

No geral, ninguém espera recuperação rápida do mercado. O Ibre, da FGV, prevê que a taxa de desemprego encerre 2017 em 13%, na média, caindo para 12,7% no ano que vem. “A recuperação vai ser lenta, em linha com a retomada gradual da atividade econômica”, diz Ottoni.

Com informações Folha de São Paulo