A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra que aumentam os desafios da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para construir uma agenda positiva e reduzir os desgastes acumulados nos últimos meses. O levantamento aponta que 57% dos brasileiros afirmam conhecer o senador, mas não votariam nele, índice que subiu um ponto percentual em relação à pesquisa de junho.
Enquanto a rejeição de Flávio avançou, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou de 53% para 50%. Com isso, a diferença entre os dois chegou a sete pontos percentuais. Em abril, o cenário era inverso: Lula liderava a rejeição, com 55%, contra 52% de Flávio Bolsonaro.
Segundo a pesquisa, a trajetória de alta na rejeição ao senador coincide com episódios que geraram desgaste para sua imagem, entre eles as revelações sobre sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro fator apontado como prejudicial foi a crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que divulgou vídeos acusando o enteado de tê-la tratado com desrespeito e de desconsiderar suas posições políticas. A viagem de Flávio aos Estados Unidos também repercutiu negativamente em parte do eleitorado.
Na tentativa de conter os danos, o senador pediu desculpas publicamente à madrasta e intensificou agendas voltadas ao público feminino e ao segmento religioso, onde Michelle Bolsonaro exerce forte influência política.
Flávio também buscou reforçar sua atuação internacional ao discursar em Washington contra o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e defender o sistema Pix, em uma estratégia para minimizar críticas relacionadas ao apoio de setores bolsonaristas a sanções estrangeiras contra o Brasil.
A pesquisa revela ainda que 45% dos entrevistados consideram que Michelle Bolsonaro acertou ao divulgar os vídeos com críticas ao enteado, enquanto 38% entendem que ela errou ao expor publicamente o pré-candidato do PL à Presidência. Outros 17% não souberam ou preferiram não responder.
Depois de Lula e Flávio Bolsonaro, os pré-candidatos mais rejeitados são os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que seguem enfrentando dificuldades para romper a polarização entre petistas e bolsonaristas e se consolidar como uma alternativa de terceira via. Caiado registra 34% de rejeição, enquanto Zema aparece com 31%. A rejeição ao governador de Goiás permanece estável desde abril, dentro da margem de erro, enquanto a do governador mineiro cresceu quatro pontos desde maio e retornou ao patamar observado em abril.
O levantamento também mostra que boa parte dos possíveis concorrentes ainda é pouco conhecida pelo eleitorado. Apenas 3% dos entrevistados disseram não conhecer Lula e 5% afirmaram desconhecer Flávio Bolsonaro. Já Ronaldo Caiado é desconhecido por 44% dos eleitores, e Romeu Zema, por 50%.
Entre os nomes com menor nível de conhecimento estão Renan Santos (Missão), desconhecido por 77% dos entrevistados; Augusto Cury (Avante), com 76%; Joaquim Barbosa (DC), com 73%; Cabo Daciolo (Mobiliza), com 66%; e Samara Martins (UP), que é desconhecida por 86% dos brasileiros. Entre aqueles que os conhecem, os índices de rejeição variam de 11% a 27%.
Os números reforçam que, além de reduzir a rejeição, os pré-candidatos que buscam romper a polarização terão o desafio de ampliar seu grau de conhecimento junto ao eleitorado nacional.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
