Os desdobramentos da saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da presidência nacional do PL Mulher continuam movimentando os bastidores políticos e alimentando especulações sobre seu futuro dentro do Partido Liberal.
O repórter Isac Rancine relata, no Jornal Alerta Geral, que, sem esconder a insatisfação com os acontecimentos que culminaram em seu afastamento do comando do segmento feminino da legenda, Michelle tem dado sinais de independência política e adotado posições que provocam reações até mesmo entre seus aliados.
Um dos episódios mais comentados foi o elogio feito por Michelle à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sancionar o projeto de lei voltado ao fortalecimento das políticas públicas para pessoas surdas, com incentivo à educação bilíngue em Libras e Língua Portuguesa.
A manifestação surpreendeu parte do eleitorado bolsonarista e gerou críticas nas redes sociais. Ao mesmo tempo, adversários políticos ironizaram a declaração, sugerindo uma suposta mudança de postura da ex-primeira-dama.
Diante da repercussão, Michelle reagiu às críticas e afirmou que políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência estão acima de disputas ideológicas e partidárias. Segundo ela, a defesa de iniciativas que beneficiem milhões de brasileiros não deve ser condicionada a divergências políticas, justificando, assim, o reconhecimento à sanção da proposta.
Os movimentos de Michelle também repercutem no Ceará, estado apontado como o epicentro da crise interna que culminou com sua saída da presidência do PL Mulher. O desgaste teve origem nas divergências sobre a condução das articulações políticas da legenda e na defesa, feita por Michelle, da candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado, posição que acabou derrotada pelo grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes.
Outro fato que chama a atenção é o distanciamento da ex-primeira-dama da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na próxima sexta-feira, Flávio estará em Fortaleza para um evento com lideranças nacionais do PL, que marcará o lançamento nacional de sua pré-candidatura à Presidência da República. Até o momento, Michelle não integra a programação do encontro, reforçando a percepção de que permanece afastada das principais articulações eleitorais da legenda.
