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O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, delator da Operação Lava Jato, reapareceu na imprensa nacional ao depor na segunda-feira ao juiz federal Sérgio Moro. Ele afirmou que um diretor financeiro da estatal ‘era mantido pelo partido do senador Crivella’, do PRB. Crivella e o PRB negaram a acusação.

O depoimento de Machado, em ação penal sobre propinas a um ex-gerente de Suporte Técnico de Dutos e Terminais Norte-Nordeste da Transpetro, durou cerca de 40 minutos. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Na audiência, a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili perguntou a Machado se ele tinha ‘conhecimento de outros cargos que eram mantidos por outros partidos políticos dentro da Transpetro’. Ele afirmou que havia o caso do diretor financeiro que era mantido pelo partido do senador Crivella.

No final, Sérgio Moro quis saber de Sérgio Machado se ‘não havia outros executivos da Transpetro arrecadando para outros partidos’.

“Que eu saiba havia como eu falei o diretor financeiro da Transpetro que tinha uma relação com o senador Crivella. Agora, eu nunca tomei conhecimento de arrecadação dele”, relatou.

Sérgio Machado protagonizou em 2016 um capítulo de grande tensão da Lava Jato, quando gravou conversas com os quadros mais importantes do MDB, como o ex-presidente José Sarney e o senador Romero Jucá, em que ambos revelaram preocupação com os rumos das investigações que supostamente pretendiam barrar.

O ex-presidente da Transpetro falou ao juiz Sérgio Moro como testemunha de acusação e de defesa. Ele afirmou que para permanecer no cargo, ‘a regra vigente era que você tinha que dar contribuição, distribuir propina àquelas pessoas que te colocaram no cargo’.

Segundo o delator, as empresas sabiam que ele só permaneceria no comando da Transpetro se ‘atendesse reivindicação daquele grupo político’ que o colocou no cargo.

Sérgio Moro perguntou a Sérgio Machado se ele ficava com parte da ‘contribuição política’. O ex-presidente da Transpetro confirmou.

Sérgio Machado foi um dos primeiros delatores a gravar conversas com alvos de sua delação. Para se livrar da prisão, o ex-presidente da Transpetro registrou áudios de diálogos com os caciques do PMDB, os senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (AP), nas quais predominou suposta tentativa de obstrução da Lava Jato.

Machado entregou em maio de 2016 à Procuradoria-Geral da República as gravações dos encontros com Renan, Jucá e Sarney. Nessas reuniões, os senadores e o ex-presidente teriam demonstrado intenção de tramar contra a Lava Jato. Jucá sugeriu ‘estancar a sangria’, em referência à maior operação já desencadeada no País contra a corrupção.

Segundo a assessoria de Crivella: “A indicação de Rubens Teixeira para diretor financeiro da Transpetro foi feita pelo então vice-presidente José Alencar, à época presidente do PRB, depois de Teixeira ter a tese de doutorado em Economia premiada pelo Tesouro Nacional.”

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