Suplementos são uma daquelas coisas que quem toma defende até a morte: deixou mais forte, mais atento, mais isso ou aquilo. Só que recentes estudos têm mostrado que, talvez, no caso de cérebros em processo de envelhecimento, eles façam mais mal do que bem. As informações são do Washington Post.
A questão principal, no caso, é se há alguma diferença do efeito dos suplementos entre um corpo mais jovem e um corpo mais velho: em janeiro deste ano, uma pesquisa mostrou uma possível associação entre o uso de suplementos de vitamina D e declínio cognitivo mais rápido entre adultos mais velhos que já apresentavam níveis normais de vitamina D no sangue.
Em abril, um estudo mostrou que adultos — com 55 anos ou mais — que tomam suplementos de Ômega-3 mostraram maior deterioração cognitiva ao longo do tempo em comparação com não usuários.
Em junho, foi a vez da glucosamina, usada para dores articulares: quem toma têm uma probabilidade muito maior de progredir de comprometimento cognitivo leve para demência ao longo de cinco anos, em comparação com quem não utilizava.
Esses estudos mostram que uma teoria pode estar certa: a de que o envelhecimento muda a forma com que o cérebro processa gorduras, cálcio e glicose.
O cérebro em envelhecimento
Cérebros mais novos são mais plásticos, melhor regulam inflamações e possuem mais capacidade de se recuperar de estresse celular; cérebros mais velhos possuem mais dificuldade de se regenerar, tendo menos “reserva biológica”.
O envelhecimento, também, muda o ambiente em que os nutrientes são processados: conexões dos sistemas de transporte de substâncias do cérebro começam a se deteriorar. Cientistas estão começando a se preocupar com danos associados a suplementos populares, mas isso não significa que existam “vazamentos” ou coisa parecida, mas, sim, uma nova forma de penetração.
Suplementos e declínio cognitivo
Em uma pesquisa com 5.065 americanos acompanhados por seis anos, usuários de vitamina D apresentaram declínio ligeiramente mais rápido da cognição geral e das funções executivas. A associação, porém, foi observada apenas entre pessoas que já tinham níveis normais de vitamina D.
Resultados semelhantes foram encontrados para o ômega-3. Uma análise com 819 adultos mostrou que aqueles que tomavam suplementos apresentaram declínio mais rápido em medidas de memória, atenção, linguagem, orientação e processamento visual e espacial. Os pesquisadores apontaram possíveis alterações no metabolismo da glicose em regiões do cérebro vulneráveis ao Alzheimer.
No caso da glucosamina, experimentos em camundongos indicaram piora de alterações relacionadas à doença, enquanto a análise de prontuários mostrou que seu uso estava associado a uma probabilidade cerca de 25% maior de progressão do comprometimento cognitivo leve para Alzheimer ou outra demência.
Entre pessoas que já tinham demência, o uso também esteve associado a uma taxa de mortalidade aproximadamente 25% maior.
Os pesquisadores levantam diferentes hipóteses para explicar os resultados, como alterações no metabolismo cerebral e no acúmulo de proteínas e açúcares nas células.
Apesar dos resultados, os estudos não comprovam que vitamina D, ômega-3 ou glucosamina causem declínio cognitivo, pois são principalmente análises observacionais que identificam associações. São necessários estudos clínicos mais rigorosos para determinar se os suplementos realmente contribuem para a piora da função cerebral.