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As lideranças do PSDB costuram um pacto entre a ala governista do partido — ligada ao presidente licenciado da sigla, senador Aécio Neves (MG), e o grupo do presidente interino, senador Tasso Jereissati. Os dois líderes conversaram, nessa quarta-feira, pela primeira vez desde o racha provocado pelo programa do partido na TV, que foi produzido por Tasso. A peça criticou o presidencialismo de cooptação — troca de apoio por cargos. O PSDB integra a base do governo Michel Temer.

A articulação para pacificação interna envolvendo Tasso e Aécio passou pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tasso e Aécio, segundo reportagem do Jornal O Globo, combinaram de interromper as críticas à participação dos tucanos no governo. Eles farão uma declaração conjunta sobre o reconhecimento da importância da atuação dos ministros tucanos nas pastas que ocupam. Os dois pretendem chegar juntos à reunião com dirigentes estaduais do PSDB a ser realizada, nesta quinta-feira, em Brasília.

Dentro da estratégia de pacificar o PSDB, Tasso  se reuniu, nessa terça-feira,  com o governador Reinaldo Azambuja (MS), além de prefeitos, deputados e o decano dos deputados, Bonifácio de Andrada (MG). Todos pediram que ele fizesse um gesto de reaproximação com os governistas para acabar com o carimbo de que atualmente existem dois PSDBs: o ético que está fora do governo, e o fisiológico que participa do governo.

Tasso intensificou articulações e chamou,na noite dessa quarta-feira, o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), para uma conversa.  Araújo representaria também os outros ministros tucanos: Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) e LuislindaValois (Direitos Humanos). Segundo interlocutores de Aécio e Tasso, a conversa se deu de forma cordial, e os dois estavam “desarmados”.

Sobre as duras declarações dadas nos últimos dias, Tasso explicou que reagiu ao ser pressionado por integrantes da ala governista, dizendo que ele teria que ser retirado da presidência do partido. Tasso disse que desabafou num tom “um pouco acima”.

Por outro lado, aliados afirmaram que Aécio pediu um esforço das duas partes pela convergência, e que ele e Tasso consideram superada a discussão sobre estar ou não no governo. Enquanto Temer achar que os ministros tucanos são úteis, eles permanecerão no governo e não serão bombardeados pelos próprios tucanos.

Segundo deputados ligados a Aécio, o senador explicou, na conversa, que em nenhum momento quis retomar o cargo hoje ocupado por Tasso e que continuará licenciado, a não ser que algo grave aconteça durante o período de interinidade, de três meses. Aécio disse ainda que essa travessia tem de ser feita com todos e não só com um pedaço do partido. Com a movimentação dos bombeiros, o ninho tucano caminha para reencontrar um ambiente de paz: ‘’Desanuviou. E deu uma tranquilizada também no governo, já que não haverá mais bombardeio’’, disse um dos dirigentes tucanos ao comentar a reaproximação de Tasso e Aécio.