Tiro durante ato pró-Lula provoca correria em Sergipe; sargento da PM é afastado e tem arma recolhida

Um disparo de arma de fogo durante um ato político favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou correria na noite desta quinta-feira (8), em frente à Universidade Federal de Sergipe (UFS). Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), um policial militar é suspeito de ter efetuado o tiro.

O sargento Manoel Messias dos Santos, da Polícia Militar de Sergipe, foi afastado das funções e teve a arma recolhida enquanto o caso é investigado. Ninguém ficou ferido.


VÍDEOS MOSTRAM IMAGEM DO HOMEM


Vídeos divulgados nas redes sociais mostram participantes do ato, muitos vestidos de vermelho e com símbolos relacionados ao PT e à campanha de Lula, correndo após o episódio.

De acordo com relatos reunidos pelas autoridades, um homem que estava em um veículo teria parado nas proximidades do ato e efetuado disparo para o alto. A investigação busca agora esclarecer a dinâmica do episódio e quantos tiros efetivamente foram realizados.

O policial suspeito deverá passar por exame residuográfico, procedimento utilizado para verificar eventuais vestígios relacionados ao disparo de arma de fogo. A polícia também procura imagens de câmeras de segurança que possam ajudar na apuração.

O ato havia sido organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da UFS para debater políticas públicas estudantis, o cenário político-eleitoral, a participação democrática e a importância do voto dos jovens.


DISPARO APÓS MANIFESTAÇÃO


Segundo o presidente do DCE, Fábio Henrique de Souza, a manifestação já havia terminado quando ocorreu o episódio.

“Todo mundo estava voltando para suas casas e outras pessoas retornando para dentro da universidade. Mas, enquanto a gente fazia esse processo de dispersão, um carro de cor prata parou, começou a discutir com alguns estudantes e fez três disparos para cima”, relatou.

Fábio afirmou ainda que os estudantes não estavam bloqueando a via no momento dos disparos.

A Secretaria da Segurança Pública de Sergipe informou que trabalha para garantir que o processo eleitoral, especialmente durante o segundo turno, transcorra de maneira pacífica e com respeito à liberdade de manifestação.

O caso também será investigado pela Corregedoria da Polícia Militar.

“A gente precisa agora ouvir todos os envolvidos e, de forma imparcial e isenta, de acordo com os princípios da administração pública, fazer a apuração dos fatos. A cada um cabem as consequências dos seus atos de acordo com a legislação”, afirmou o tenente-coronel Allyson Cruz, chefe da comunicação da PM.

REPÚDIO À VIOLÊNCIA

Em nota, a Universidade Federal de Sergipe informou que acompanha o episódio e mantém contato com as autoridades responsáveis pela investigação.

A instituição afirmou ainda repudiar qualquer forma de violência ou intimidação, independentemente da orientação política dos envolvidos.

O episódio também provocou repercussão nacional. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o caso nas redes sociais como um episódio de violência política e atribuiu o disparo a um apoiador do bolsonarismo — caracterização que ainda depende da apuração oficial das autoridades.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se manifestou e afirmou que episódios de violência em contexto eleitoral precisam ser tratados com atenção para evitar a escalada da radicalização política