Mais um caso expõe os efeitos devastadores que a dependência em apostas pode provocar na vida financeira, profissional e familiar. Um contador de 29 anos foi preso, nesta quinta-feira (8), em Pouso Alegre, Minas Gerais, suspeito de desviar cerca de R$ 1,6 milhão de uma fabricante de produtos para gastronomia e panificação para financiar apostas esportivas.
Segundo a Polícia Civil, André Rafael de Souza Martins trabalhava havia cerca de dez anos na empresa e, por ter acesso ao setor financeiro, teria transferido recursos da conta do estabelecimento diretamente para sua conta pessoal. Em apenas três meses, o prejuízo estimado chegou a R$ 1,6 milhão.
PLATAFORMAS DE JOGOS
O caso foi denunciado à polícia no dia 30 de setembro. Durante as investigações, de acordo com o delegado regional Renato Gavião, o suspeito admitiu que utilizava o dinheiro em plataformas de apostas.
“Ele afirmou que esse valor realmente foi subtraído de três meses para cá em razão de dívida de jogo de bets. Ele se confessa doente, frequenta psiquiatra e psicólogo, joga sem o conhecimento da família e perdeu todo esse dinheiro”, relatou o delegado.
CICLO DE PERDAS
Ainda segundo o depoimento atribuído ao suspeito, o mecanismo se transformou em um ciclo de perdas. Após perder dinheiro nas apostas, ele retirava novos valores da empresa na esperança de recuperar o prejuízo, devolver os recursos e esconder o rombo.
“Eu questionei: como conseguiu perder R$ 1 milhão e 680 mil? Porque é muita coisa. Ele falou que jogava, perdia, pegava dinheiro da empresa, passava para a conta dele e apostava novamente com a intenção de ganhar, restituir para a empresa e cobrir o rombo”, afirmou Renato Gavião.
A Polícia Civil informou ainda que as irregularidades teriam continuado mesmo depois da demissão do contador. Conforme as investigações, ele teria criado uma chave Pix utilizando um e-mail relacionado à empresa e passado a procurar clientes para solicitar transferências.
SEGUNDA DENÚNCIA
Uma segunda denúncia também passou a ser investigada. A vítima é uma dentista, esposa de um dos sócios da empresa, que também utilizava os serviços contábeis do suspeito. A polícia apura se o mesmo método foi empregado nesse caso. O eventual prejuízo ainda não havia sido calculado.
O homem deverá responder, segundo a investigação, por furto qualificado. A Polícia Civil continuará ouvindo testemunhas e analisando movimentações bancárias para dimensionar o total dos valores e esclarecer todas as operações.
Ao comentar o caso, o delegado chamou atenção para o crescimento de ocorrências relacionadas ao uso problemático das plataformas de apostas.
“Aí mostra também a importância de nós atentarmos a esse tipo de jogo que vem assolando a nossa sociedade. Não é o primeiro caso que aparece, já tem outros casos”, declarou.
Em nota, a Ultrapão Alimentos Congelados S.A. informou que está colaborando com as investigações e adotando medidas judiciais para tentar recuperar os recursos. A empresa afirmou ainda que suas operações continuam normalmente, sem prejuízo para clientes, fornecedores ou funcionários.