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Uma frente de mobilização envolvendo professores e pesquisadores de diferentes universidades está promovendo um conjunto de atividades a partir de segunda-feira (26) para sensibilizar a comunidade acadêmica contra o extermínio da população jovem, negra e pobre das periferias de Fortaleza e em outras regiões do Ceará. Em 2017, 5.134 pessoas foram assassinadas, batendo o recorde de homicídios já registrados no Estado.

Reunidos no “Movimento cada vida importa: a universidade na prevenção e enfrentamento a violência no Ceará”, mais de 30 laboratórios, grupos de pesquisa e projetos de extensão assinaram uma nota de repúdio à violência cotidiana vivenciada no Estado. A iniciativa também é apoiada por organizações da sociedade civil e o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA).

De 26 a 28 de fevereiro, inaugurando o semestre de 2018.1, professores de diferentes áreas que aderiram ao movimento vão pautar a temática na sala de aula. A proposta do grupo é promover, nos próximos meses, seminários e eventos sobre a prevenção e o enfrentamento aos homicídios em diferentes departamentos das universidades.

Uma das intenções do movimento é contribuir com a desnaturalização dessas mortes no Estado, desconstruindo a narrativa de que as pessoas que foram assinadas “mereceram” aquele destino. “Também nos indignamos com as tentativas de justificação desses assassinatos, sob a alegativa de possíveis envolvimentos das vítimas com crimes e com o tráfico de drogas. Nosso compromisso com a produção de conhecimentos e com práticas sociais críticas à realidade nos leva ao entendimento de que a rede de violência instalada em nosso estado é complexa e se expande conforme o aumento da desigualdade social”, reforça a nota.

Estão integrando a mobilização professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de Fortaleza (Unifor), Centro Universitário Devry Fanor (UniFanor), Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7), Centro Universitário Christus (UniChristus), Instituto Federal do Ceará (IFCE), Centro Universitário Estácio do Ceará e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Eventos confirmados

Já como parte da atividade da mobilização, no dia 27 de fevereiro, vai ser realizada uma mesa redonda “A violência e seu enfrentamento: narrativas subjetivas e direitos humanos”, no Auditório da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), Campus do Itaperi da Universidade Estadual do Ceará.

No dia seguinte, o Seminário de Pesquisa e Intervenção do Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violências e Produção de Subjetividades (Vieses/UFC) vai abordar a pesquisa desenvolvida desde 2015 pelo grupo sobre violência urbana e juventude, além das resistências juvenis e as trajetórias de vida dos jovens em cumprimento de medida socioeducativa. O evento vai ser sediado no Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará.