Em meio a decisões conflitantes e judicialização recorde, Nunes Marques reúne campanhas de Lula e Flávio no TSE

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reúne-se, nesta terça-feira (13), com as equipes jurídicas das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O encontro ocorre em uma fase da campanha mercada pela escalada da judicialização do segundo turno e após uma sequência de decisões da Corte, algumas delas divergentes, provocadas por ações apresentadas pelos dois lados da disputa presidencial.

ESCALADA DE AÇÕES

Somente na primeira semana após o primeiro turno, foram apresentados pelo menos 85 novos processos envolvendo Lula, Flávio, a coligação que sustenta a candidatura do presidente e o diretório nacional do PL.

A eleição de 2026 já estabeleceu um marco na judicialização da disputa pelo Palácio do Planalto. Um levantamento do jornal O Globo identificou 698 processos envolvendo as duas principais candidaturas até o dia 4 de outubro, número apontado como recorde na comparação com as duas eleições presidenciais anteriores.

EXÉRCITO DE LULA

Um dos principais focos de tensão entre as campanhas é o canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp pelo deputado federal André Janones.

A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou diferentes questionamentos ao TSE sobre o funcionamento do canal e os conteúdos divulgados aos seus participantes.

No último fim de semana, o caso provocou decisões distintas dentro da própria Justiça Eleitoral.

No sábado, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu informações adicionais antes de analisar uma solicitação para suspender o canal. Segundo ele, o pedido apresentado pela campanha de Flávio não continha elementos suficientes para justificar imediatamente a medida.

No domingo, porém, em outro processo, Nunes Marques determinou que o WhatsApp retirasse do ar o “Exército do Lula”.

CONFLITOS NO TSE

A decisão gerou divergências internas no tribunal e, posteriormente, Cueva assinou novo despacho restabelecendo provisoriamente o canal. O corregedor sustentou que os elementos apresentados pela campanha de Flávio não eram suficientes, naquele momento, para justificar uma restrição tão ampla.

Nunes Marques pede análise urgente

Depois da controvérsia, Nunes Marques determinou que o material relacionado ao canal fosse encaminhado à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE.

A ordem é para que a equipe técnica analise o caso com “máxima urgência” e forneça dados capazes de esclarecer o alcance dos conteúdos questionados.

“Solicita-se, especialmente, que a unidade informe se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”, escreveu Nunes Marques.