Casos de Mpox no Rio de Janeiro aumentam 800% em setembro e outubro

Foto: Maurício Bazílio

O Rio de Janeiro registra um aumento recente de casos de Mpox, uma infecção viral transmitida pelo contato e que tem entre os sintomas lesões de pele. De acordo com o Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde, até a última terça-feira, 211 pacientes testaram positivo no estado, número que já supera o total de todo o ano passado: 119. O crescimento no número de registros é puxado pelos meses de setembro e outubro, que totalizam 90 diagnósticos, 45 cada, um número 800% maior do que registrado no mesmo período de 2025 (dez). Ainda há 117 casos em investigação. Um novo subtipo do vírus que transmite a doença estaria em circulação no Rio, segundo especialistas.

Como acontece a transmissão

O risco de transmissão se inicia logo no surgimento dos primeiros sintomas, como febre, dores no corpo ou mal-estar. O vírus pode começar a ser transmitido de 1 a 4 dias antes do aparecimento das feridas. A transmissão só cessa quando todas as feridas cicatrizam completamente, ou seja, quando as cascas das lesões caem e a nova camada de pele se forma. Eis as formas de transmissão:

  • Contato direto: tocar nas lesões cutâneas, bolhas, pústulas ou crostas de uma pessoa infectada.
  • Fluidos corporais: contato com saliva, secreções respiratórias ou fluidos genitais durante o ato sexual ou beijos.
  • Objetos contaminados: compartilhar ou tocar em roupas, toalhas, lençóis, talheres ou superfícies que tiveram contato com o paciente.
  • Via respiratória: contato próximo, prolongado e face a face (gotículas respiratórias)

Como prevenir a transmissão

A transmissão de Mpox pode ocorrer por contato próximo com secreções respiratórias, lesões de pele de uma pessoa infectada ou com objetos e superfícies contaminadas. Uma das situações de risco é a relação sexual. Membros da família e outros pessoas próximas a quem está com a doença também ficam mais vulneráveis à contaminação.Veja as recomendações das autoridades de saúdepara conter a disseminação da infecção:

  • Evitar contato físico direto com lesões na pele ou nas mucosas de pessoas com suspeita ou confirmação da doença;
  • Evitar contato íntimo e relações sexuais na presença de sinais ou sintomas suspeitos, até avaliação por um profissional de saúde;
  • Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas de cama e vestimentas, que possam estar contaminados;
  • Procurar atendimento em uma unidade de saúde diante do aparecimento de lesões suspeitas, especialmente nas regiões genital, anal, oral ou em outras partes do corpo, acompanhadas ou não de febre e aumento dos linfonodos;
  • Em caso de suspeita ou confirmação, seguir as orientações de isolamento e acompanhamento dos serviços de saúde, evitando contato físico próximo até a completa cicatrização das lesões e a formação de uma nova camada de pele;
  • Buscar informações sobre a vacinação contra a Mpox, disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para grupos específicos, conforme as recomendações vigentes do Ministério da Saúde.
  • Em casos de confirmação, manter abertas as janelas de locais fechados e, quando na presença de outras pessoas, fazer uso da máscara cirúrgica
  • Fazer lavagem frequente das mãos
  • A higiene do ambiente (chão e superfícies) pode ser realizada com água sanitária;
  • Manter as feridas cobertas em caso de contato com outras pessoas;
  • Em caso de banheiro único na casa, o paciente deve utilizá-lo por último; após o uso, deve ser feita a limpeza do ambiente;
  • Os cuidados devem ser mantidos por, no mínimo, 21 dias, ou até as crostas caírem;
  • Em caso de piora das lesões, retorne ao serviço de saúde para avaliação médica.

Existe vacina contra a doença, mas, no momento, as doses estão em falta no Sistema Único de Saúde. Utiliza-se o imunizante MVA-BN, composto por vírus vivo enfraquecido, que não se reproduz dentro das células humanas. O esquema padrão consiste em duas doses, aplicadas por via subcutânea no ombro, com um intervalo de 28 dias (quatro semanas) entre elas.

— Infelizmente, poucas foram as vacinas recebidas, e a maior parte da população de risco ainda não foi vacinada. Muitos países já têm essa vacina no seu calendário para toda a população de risco — afirma o deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de saúde.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Soranz explicou que esta é uma doença de fácil diagnóstico, mas que o vírus da Mpox está circulando com mais intensidade no Rio de Janeiro.