Os clientes da Enel nos estados do Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo deverão aguardar até o final deste ano para saber quais serão os rumos da concessão dos serviços de energia elétrica da empresa, após a decisão do Governo Federal de deixar a companhia fora do pacote de renovação antecipada das concessões do setor elétrico.
A Enel responde a processos administrativos na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) relacionados à má qualidade dos serviços prestados nos três estados, marcados por frequentes reclamações de consumidores sobre apagões, oscilações na rede e demora no restabelecimento da energia.
Mesmo diante desse cenário, a empresa apresentou defesa técnica e administrativa na tentativa de garantir a renovação do contrato de concessão por mais 30 anos.
O Governo Federal renovou as concessões de distribuidoras de energia em 13 estados brasileiros, mas a Enel ficou de fora da medida.
Durante solenidade sobre os novos contratos do setor elétrico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas indiretas à concessionária italiana.
“A verdade é que essa empresa não cumpriu nada do que prometeu”, afirmou Lula, sem citar nominalmente a Enel.
A declaração do presidente foi interpretada como um recado direto à empresa e, ao mesmo tempo, como uma sinalização aos consumidores prejudicados pela má prestação de serviços.
A avaliação é de que o posicionamento do Governo também produz dividendos políticos e eleitorais diante do desgaste acumulado pela concessionária junto à população.
Enquanto a situação permanece indefinida, a expectativa é de que a Enel continue apresentando argumentos técnicos e medidas de investimentos para tentar convencer a Aneel de que merece renovar os contratos de operação.
Até lá, consumidores do Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro seguem convivendo com reclamações sobre interrupções de energia e instabilidade no fornecimento, situação destacada nesta segunda-feira pelo repórter Sátiro Sales, durante o Jornal Alerta Geral.
