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São 20 anos da Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa), ajudando a mudar a história de vida de mães e dos filhos nascidos na maternidade do Hospital Geral Dr. César Cals, da rede pública do Governo do Ceará. No ano em que comemoram-se duas décadas dedicadas ao cuidado dos prematuros de baixo peso, o Método Canguru do Hospital César Cals recebe nesta sexta-feira (23), do Ministério da Saúde (MS), a placa de certificação como Referência Estadual. A solenidade de entrega da certificação e descerramento da placa será às 10 horas, com a presença dos técnicos do MS, diretores do hospital e profissionais integrantes do Canguru.

 

Esse reconhecimento marca o trabalho, a dedicação e o compromisso em promover a saúde de mães e recém-nascidos, por meio de uma assistência multiprofissional. São médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, entre outros, envolvidos no cuidado direto com a mãe e o filho.

 

Histórias como a do estudante de ensino médio Douglas Paiva, de 18 anos, comprovam a importância do método canguru. Ele nasceu prematuro de seis meses e passou pela Unidade Canguru do HGCC. “Minha mãe e minha avó sempre falavam sobre a minha passagem pelo Canguru do César Cals e de como foi importante para minha recuperação”, declara.

 

Maria Auxiliadora do Carmo Santos, técnica em enfermagem que trabalha no HGCC, deu à luz à filha Myrla Gabrielle do Carmo há 19 anos. Foi uma das primeiras mães a passar pelo Canguru. Ela lembra que o parto prematuro se deu por causa da pressão alta e foi necessário para salvar a sua vida como também da filha, que nasceu com menos de sete meses, pesando 970g. Elas permaneceram três meses no hospital.

 

No Canguru, que estava iniciando, Auxiliadora e Gabrielle foram acompanhadas durante 15 dias. Depois, a bebê precisou retornar ao médio risco por causa de uma anemia e passou por uma transfusão. “Hoje ela está muito bem, sem nenhuma sequela, está na faculdade de engenharia ambiental, no Instituto Federal de Maracanaú”, conta a mãe orgulhosa.

 

Estrutura e acolhimento

 

Atualmente, o Hospital César Cals tem 10 leitos destinados ao Método Canguru, num espaço exclusivo que conta com quartos, banheiros, sala de estar, sala de jantar, cozinha, consultório e corredor de acesso. O local está estruturado e segue as orientações preconizadas pelo Ministério da Saúde. Para participar do método, as mães cujos filhos estão internados na Unidade Neonatal são informadas em reuniões e conversas com a equipe. São elas que decidem participar, conforme as condições do bebê. Quando isso acontece, a mãe e a criança são acolhidas pela equipe, que está pronta para prestar todo atendimento necessário.

 

Marluane Lima Gadelha, natural de Tabuleiro do Norte, interior do estado, é mãe de Lívia Vitória, que nasceu no dia 4 de maio, com apenas seis meses de gestação. Ela passou pela UTI Neonatal, Unidade de Médio Risco e agora, permanece junto à pele da mãe na Unidade Canguru. “Eu recebi as informações, fui para as reuniões e depois decidi participar”, lembra.

 

A insegurança inicial foi substituída pela certeza de ter feito a escolha certa, a partir de um acontecimento que mudou toda a maneira de pensar. “No primeiro dia, aqui no Canguru, a minha filha já conseguiu mamar direto no peito”, comemora Marluane. Segundo ela, isso fez toda a diferença, especialmente por poder permanecer 24 horas com a filha. “A sensação é muito boa porque a gente passa a ter mais contato com os filhos e acabamos aprendendo muita coisa aqui. Até mesmo aquelas que já são mães tem algo a aprender”, ressalta.

 

Logo na chegada, Larissa Sena Moura, estudante de Maracanaú, já sentiu o calor humano e receptividade de outras mães. Ela foi recebida com muito carinho. A história dela, assim como tantas outras se encontram nos difíceis momentos pelos quais passam as mães de bebês prematuros. “No início, ao saber que meu filho era prematuro, fiquei muito triste, mas procurei ter fé e paciência”, conta Larissa. Ela precisou trancar a faculdade de Odontologia para se dedicar exclusivamente à filha, que precisou ser entubada quando estava na UTI. Larissa acompanhou a recuperação da filha a cada dia e, agora no canguru, a participação dela nos cuidados será ainda mais fundamental. “Eu espero me sentir bem mais segura, cuidando de um bebê prematuro”, diz.

 

Método Canguru

 

O Método Canguru permite uma assistência ao recém-nascido prematuro, internado na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, a partir de estratégias de intervenção biopsicossocial.O bebê prematuro é colocado em contato pele a pele com sua mãe ou com seu pai, de forma gradativa. Inicialmente os pais tocam o filho, para em seguida colocá-lo na posição canguru. O contato do recém-nascido com os seus pais inicia de forma precoce e crescente, por escolha da família, pelo tempo que os pais se sentirem confortáveis. O método, que ocorre em três etapas, também permite que os pais tenham uma maior participação nos cuidados neonatais.

 

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Primeira etapa: com início ainda no pré-natal, na gestação de alto risco e após a internação do recém-nascido prematuro na Unidade Neonatal. Os pais são acolhidos na Unidade Neonatal, recebem informações sobre as condições de saúde do seu filho, os cuidados dispensados, as rotinas, o funcionamento da unidade e a equipe que cuidará do bebê. Os pais têm livre acesso à Unidade e são encorajados a tocar na criança. O envolvimento do pai é muito importante. É recomendado que ele seja estimulado a participar em todas as atividades desenvolvidas na unidade. Os estímulos ambientais prejudiciais da unidade neonatal, como ruídos, iluminação e odores devem ser atenuados.

 

Segunda etapa: nesta etapa, o bebê permanece de maneira contínua com sua mãe para a realização, no maior tempo possível, da posição canguru. A mãe participa ativamente dos cuidados do prematuro, e deve estar apta para colocar o bebê na posição canguru.

Terceira etapa: é a fase em que o bebê vai para casa e é acompanhado, juntamente com sua família, no ambulatório e/ou em casa até atingir o peso de 2.500 g.

 

Posição canguru: consiste em manter o recém-nascido de baixo peso em contato pele a pele, na posição vertical, junto ao peito dos pais ou de outros familiares. A equipe de saúde deve estar adequadamente treinada para orientar, de maneira segura, os pais a realizar a posição canguru.

 

Serviço
Certificação como Referência Estadual do Método Canguru
Período: 23 junho de 2017
Horário: 10 horas
Local: Hospital César Cals, Av. do Imperador, 545 – Centro, Fortaleza/Ce

Com informação da A.I