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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, decidiu não reagir nem rivalizar aos ataques feitos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que partiu abertamente para a disputa pelo posto de principal candidato da base governista à Presidência. Segundo interlocutores do ministro, Maia está adotando como estratégia política buscar um adversário e chamá-lo para brigar. Por isso, a estratégia de Meirelles é não alimentar essa tática.

O aumento da temperatura entre Meirelles e Maia ficou claro no debate sobre mudanças na chamada “regra de ouro”, que estabelece que o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes. Por causa da crise nas contas públicas, na semana passada, a equipe econômica chegou a começar a discutir ajustes na “regra de ouro”, na casa de Maia, com o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), que trabalha numa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o engessamento do orçamento no país.

No entanto, pouco depois do início da discussão, o Ministro da Fazenda disse que o ideal não seria flexibilizar a regra. Maia interpretou isso como uma tentativa da equipe econômica de jogar o assunto no colo do Congresso e afirmou publicamente que não colocaria nenhuma alteração na “regra de ouro” em votação. O presidente Michel Temer, inclusive, teve que chamar Meirelles e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ao Planalto para acalmar os ânimos. Para evitar mais problemas, o tema foi adiado para depois da reforma da Previdência.

Depois do ocorrido, o presidente da Câmara tem buscado desgastar a imagem de Meirelles, dizendo a interlocutores que o titular da Fazenda deveria se dedicar à sua função de comandar a economia e não perder o foco com a agenda política. Ele também teria classificado Meirelles como um político “analógico”, quando o Brasil precisa de um político “digital”, com capacidade de se comunicar com jovens.

Nesse embate, contudo, interlocutores do ministro lembram que o próprio Maia, apesar de jovem, também não tem um discurso moderno e que empolga o eleitorado mais jovem. Além disso, Meirelles e o presidente da Câmara, segundo esses interlocutores, estão presos ao mesmo discurso econômico. Além de estarem, como possíveis candidatos, num mesmo patamar, flutuando com cerca de 1% das intenções de voto, “os dois nadam na mesma raia”, disse um técnico da área econômica, já que ambos lutam pela aprovação da reforma da Previdência, por exemplo.

Segundo o técnico, Maia, que gosta de se colocar como um nome do mercado financeiro, vai se empenhar ainda mais pela aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o que pode ser bom e até favorecer a agenda econômica e o próprio Meirelles. Caso o Ministro da Fazenda opte por não ser candidato, aliados do ministros dizem que ele vai ficar no comando da Fazenda até 31 de dezembro.

Articulações de Maia

Com a pré-candidatura assumida, Maia já começa a se movimentar na Câmara e tem feito uma maratona de reuniões com os partidos do chamado Centrão e com integrantes do mercado financeiro para se viabilizar com o candidato desses dois setores, rivalizando com Meirelles diretamente, e, inclusive, com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Como age em duas frentes, Maia aumentou o números de viagens pelo país e deve reforçar sua equipe, inclusive a de comunicação.

Nos próximos dias, o presidente da Câmara vai reforçar seu discurso na área econômica. Egresso do mercado financeiro, a agenda do presidente da Câmara é recheada por encontros com investidores e presidentes de empresas. A ideia, segundo uma fonte próxima a ele, é reforçar conversas com grandes nomes da economia. Um dos interlocutores frequentes é o economista Marcos Lisboa.

Outro próximo ao deputado do DEM é o ministro da Educação, Mendonça Filho, que destaca que a liderança de Maia na Câmara dos Deputados na aprovação de reformas e do prosseguimento da agenda econômica. O deputado do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, resumiu a ideia de ter um nome do Centrão que não seja Meirelles, pois, para ele, qualquer candidato é melhor do que o ministro da Fazenda.

Nos últimos dias, Maia também se encontrou com o prefeito de Salvador, ACM Neto, visto como a grande liderança jovem do DEM. Os dois acertaram uma estratégia: Maia será o candidato do partido à Presidência, ACM assumirá o comando do DEM em fevereiro e, com isso, deverá concorrer ao governo da Bahia nas eleições em outubro. ACM Neto, inclusive, tem ido a Brasília semanalmente para traçar as estratégias com Maia.

ACM tem ajudando a montar a equipe de comunicação de Rodrigo Maia, buscando reforçar a campanha e o nome do presidente da Câmara. A avaliação do prefeito de Salvador é que Maia precisa ser mais reconhecido nacionalmente e que uma vantagem é não ter rejeição.

Alckmin em Brasília

No momento em que surgem outras alternativas para ocupar o espaço de candidatos de Centro, por onde tenta se viabilizar, o governador Geraldo Alckmin marcou presença no cenário político em Brasília, nessa terça-feira, 9, e teve um dia típico de pré-candidato. Alckmin, que assumiu a cadeira de presidente nacional do PSDB, conversou longamente com jornalistas, contrariando seu estilo de falar pouco. O governador de São Paulo anunciou, para a semana que vem, a divulgação dos integrantes de sua equipe de elaboração do plano de governo.

O governador deve acelerar também a divulgação do esboço do programa de governo. Segundo fontes próximas a Alckmin, ele tem conversado com economistas, entre eles Armínio Fraga e Eduardo Giannetti. O nome apontado como provável coordenador da equipe é Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real.

Com informações do Jornal O Globo